PF cogita incluir Flávio Bolsonaro em lista da Interpol para rastrear dinheiro do filme ‘Dark Horse’

Ferramenta internacional rastreia bens no exterior; análise ocorre em inquérito que apura repasse do ex-banqueiro Daniel Vorcaro para filme sobre Jair Bolsonaro

30 jul, 2026
Flávio Bolsonaro | Reprodução/Youtube/Flavio Bolsonaro
Flávio Bolsonaro | Reprodução/Youtube/Flavio Bolsonaro

A Polícia Federal estuda pedir a inclusão do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na difusão prateada da Interpol, mecanismo internacional criado em 2025 para localizar patrimônio e valores mantidos em outros países. O estudo está vinculado ao inquérito aberto pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que investiga o repasse de R$ 61 milhões do ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A medida ainda não foi solicitada formalmente. Ela integra um plano da Polícia Federal para ampliar a cooperação internacional e resgatar o caminho percorrido pelos recursos, caso os instrumentos tradicionais de cooperação jurídica se mostrem insuficientes.

Como funciona a difusão prateada

O mecanismo funciona de forma análoga à difusão vermelha da Interpol, que localiza pessoas procuradas pela Justiça. Neste caso, porém, o alvo é identificar bens e ativos em territórios estrangeiros. Quando alguém é inscrito na lista, autoridades internacionais recebem dados sobre suspeitas de patrimônio ou recursos financeiros ligados ao investigado. Conforme a legislação de cada país, essas autoridades podem notificar as autoridades brasileiras ou tomar medidas para bloquear os ativos.

A ferramenta foi acionada pela primeira vez no começo de 2025, em investigação contra um mafioso italiano, e permitiu a cooperação internacional na identificação de bens.


Análise sobre o caso (Vídeo: reprodução/YouTube/TVT)


O inquérito e o áudio

A possibilidade de incluir Flávio na difusão prateada começou a ser avaliada após a abertura do inquérito, desencadeada por um áudio revelado pela plataforma The Intercept Brasil. Na gravação, Flávio cobra de Vorcaro os valores destinados ao filme. Os investigadores trabalham com a hipótese de que os recursos saíram integralmente do país e podem ter sido desviados da finalidade original.

Em maio, logo após a divulgação do áudio, Flávio anunciou que faria uma prestação de contas dos recursos. A prestação não foi entregue. Também negou, por nota de sua defesa, que os valores tenham sido direcionados ao irmão, o deputado cassado Eduardo Bolsonaro. Conforme sua defesa: “os aportes foram direcionados a um fundo específico da produção, com estrutura jurídica própria e fiscalização nos Estados Unidos”.

A defesa também refutou o que chamou de sugestão de desvio de finalidade, descrevendo-a como “falsa a insinuação”.

Caberá à investigação comprovar eventual desvio de recursos. Em paralelo, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, instituição de Vorcaro. A EFB Regimes Especiais de Empresas foi designada como liquidante e atua judicialmente para localizar e bloquear bens que possam ter sido desviados em benefício de Vorcaro e seus associados.

A Polícia Federal também analisa inscrever Daniel Vorcaro na difusão prateada e comunicou ao ministro Mendonça a intenção de ampliar o rastreamento internacional do patrimônio do ex-banqueiro. Os órgãos vêm trocando informações nesse processo.

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