Gastos de brasileiros no exterior crescem 21,9% e batem recorde no primeiro trimestre

Brasileiros ampliam gastos no exterior com dólar mais baixo, enquanto déficit externo recua e investimentos estrangeiros apresentam leve queda no início do ano

24 abr, 2026
Momento das Compras | Reprodução/Sevin Pietro/freepik
Momento das Compras | Reprodução/Sevin Pietro/freepik

Os brasileiros ampliaram os gastos no exterior no início deste ano, somando US$ 6,04 bilhões entre janeiro e março, segundo o Banco Central. O valor representa uma alta de 21,9% em comparação ao mesmo período do ano passado, quando as despesas chegaram a US$ 4,96 bilhões. O resultado também é o maior já registrado para um primeiro trimestre desde o início da série histórica, em 1995.Somente no mês de março, os gastos fora do país atingiram US$ 1,99 bilhão, estabelecendo um novo recorde para o período.

Dólar mais baixo

Um dos principais fatores por trás desse crescimento é a queda do dólar ao longo do ano. Com a moeda norte-americana mais barata, despesas como passagens aéreas, hospedagens e compras internacionais se tornam mais acessíveis, incentivando viagens e consumo fora do país.


Explicação sobre o Dólar (Foto: reprodução/Instagram/@dolarnabagagem)


Mesmo com uma leve alta recente, o dólar ainda acumula desvalorização no ano. Esse movimento está ligado ao cenário internacional e à percepção de que o Brasil, por ser exportador de petróleo, tem recebido mais entrada de recursos, o que contribui para a valorização do real frente à moeda estrangeira.

Contas externas têm melhora

Apesar do aumento nas despesas no exterior, o déficit das contas externas brasileiras apresentou queda no primeiro trimestre. O saldo negativo das transações correntes ficou em US$ 20,27 bilhões, menor que os US$ 22,71 bilhões registrados no mesmo período do ano anterior.

Esse indicador reúne a balança comercial, os serviços e as rendas enviadas ao exterior. A redução do déficit indica um certo equilíbrio nas contas, mesmo com maior consumo internacional, e costuma acompanhar o ritmo da atividade econômica do país.

Os investimentos estrangeiros diretos no Brasil registraram leve retração no início do ano. Entre janeiro e março, o país recebeu US$ 21,03 bilhões, abaixo dos US$ 23,04 bilhões do mesmo período do ano passado. Apesar da queda, o volume ainda foi suficiente para cobrir o déficit em transações correntes. Isso indica que, mesmo com oscilações, o fluxo de capital estrangeiro segue desempenhando papel importante na sustentação das contas externas brasileiras.

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