Golpes com deepfake de figuras públicas crescem no Brasil
Uso indevido da imagem com deepfakes de figuras públicas como Drauzio Varella vendendo produtos duvidosos aumenta e escancara vazio na legislação
Casos de golpe por indicação de algum famoso, através do uso da tecnologia deepfake, crescem desenfreadamente no Brasil. Em 2025, foi registrado um crescimento de 126% em comparação com o ano anterior, e em 2026 a tendência permanece a mesma, principalmente porque, a cada dia, a tecnologia se aperfeiçoa.
Sobre o golpe
O termo deepfake foi criado em 2017 e significa a utilização de inteligência artificial para adulterar elementos audiovisuais, alterando a voz, copiando feições e, por fim, gerando um vídeo sintético de qualquer pessoa dizendo qualquer coisa.
Pope Francis in Balenciaga deepfake fools millions: ‘Definitely scary’ https://t.co/c8aKglruXa pic.twitter.com/7Uz8ivm1ak
— New York Post (@nypost) March 28, 2023
Exemplo de deepfake com o Papa (foto: reprodução/X/@nypost)
Os golpistas se utilizam de pessoas com autoridade em sua área, como acontece com frequência com o médico Drauzio Varella. Geralmente, o golpe consiste nessas figuras respeitadas indicando algum produto duvidoso, com promessas impossíveis, do tipo: “emagreça 30kg em 30 dias” ou “método 100% natural”.
Falta de legislação
Da parte da vítima, compra-se um produto que não funciona, mas, do outro lado, as figuras públicas enfrentam perda de credibilidade e falsas acusações de fraude. A filha de Drauzio, Mariana Varella, desabafou em entrevista à revista Quem, declarando o quanto cresceram os casos em que a equipe do pai é procurada para receber denúncias sobre uso da imagem do médico em vídeos de deepfake.
É #FAKE vídeo de Drauzio Varella recomendando tratamento para disfunção erétil; imagens foram manipuladas com IA https://t.co/1TchkDwjRe pic.twitter.com/NpHeR2ka2y
— g1 (@g1) August 12, 2026
Drauzio Varella (foto: reprodução/X/@g1)
Mariana disse: “Ele se sente lesado por ser um ataque à reputação que ele construiu durante muitos anos. Mas o que mais o incomoda, nesse sentido, é a preocupação com a saúde pública, com as pessoas. Porque ele não está ali vendendo um tênis, que, se você comprar, na pior das hipóteses vai ser um produto ruim, que você vai encostar e deixar de lado”.
O avanço da tecnologia acontece em passos mais largos que a lei. Por conta disso, vítimas e famosos têm dificuldades para lidar juridicamente com a questão. É importante guardar todos os materiais que possam ser utilizados como prova, pois, no âmbito da decisão judicial, a análise de finalidade e consequências da produção determinam a causa, uma vez que o uso da tecnologia não é proibido no Brasil.
