Governo opta por veto seletivo a aumento de servidores

Lula deve vetar benefícios ilegais no aumento de servidores aprovados pelo Congresso, manter reajustes regulares e conter casos fora do teto

05 fev, 2026
Plenário da Câmara dos Deputados | Reprodução/Agência Senad/Edilson Rodrigues
Plenário da Câmara dos Deputados | Reprodução/Agência Senad/Edilson Rodrigues

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prepara veto parcial ao projeto que amplia salários de servidores e, assim, evitar confronto direto com o Congresso Nacional. A princípio, o presidente decidiu barrar apenas trechos ilegais. Portanto, deve-se preservar os reajustes dentro das regras constitucionais. O projeto com foco nos reajustes e ganhos extratetos a servidores foi aprovado na última terça-feira (3).

Planalto adota estratégia de veto seletivo

A equipe jurídica ainda analisa o texto e aguarda o envio oficial ao Palácio do Planalto. Enquanto isso, ministros afirmam que o governo não pretende vetar aumentos legais, mas sim, manter diálogo institucional. Logo, a proposta aprovada permite exceções ao teto. 

Todavia, o Planalto considera esse ponto inconstitucional sensível. Técnicos da Fazenda avaliam impacto financeiro e recomendam cortes nos trechos controversos. Dessa forma, o projeto autoriza pagamentos sem Imposto de Renda e, assim, cria mecanismo para driblar limites fiscais vigentes. Além disso, também prevê folgas extras por dias trabalhados. Consequentemente, amplia vantagens a cargos de direção específicos.

Congresso e governo trocam acusações

A aprovação repentina gerou reação política e levou ao início da guerra de versões entre Legislativo e Executivo. A Câmara afirmou que o Planalto apoiou a votação, porém, o governo negou aval aos pontos polêmicos. Após pressão, o Planalto admitiu apoio ao reajuste regular. Contudo, rejeitou privilégios fora do teto.


Reajuste salarial a servidores tem benefícios extrateto (Vídeo: reprodução/YouTube/@CNN Brasil)


Por vez, Lula evita atritos neste momento e exigiu exame detalhado de cada artigo aprovado. O presidente quer manter a base unida, além de precisar de apoio para a agenda econômica de 2026. Entre as prioridades, o governo destaca o acordo Mercosul-União Europeia, buscando um ambiente estável. Em mensagem ao Congresso, Lula pediu celeridade e afirmou confiar no empenho dos parlamentares.

Agenda política amplia tensão institucional

O Planalto avalia que o confronto agora prejudica as votações. Sendo assim, prefere solução negociada com líderes. Por outro lado, Davi Alcolumbre defendeu autonomia do Legislativo e pregou harmonia entre poderes. O senador afirmou que diálogo não significa renúncia e, desse modo, mandou recado indireto ao Executivo. 

Na abertura do ano legislativo, Alcolumbre ironizou o governo, cobrando respeito às prerrogativas parlamentares. Nesse ínterim, as tensões refletem as disputas de 2025 e antecipam embates sobre emendas e orçamento federal. Já ao passo que Lula critica emendas impositivas afirmando que o mecanismo trava projetos essenciais da União, Alcolumbre discorda da posição e mantém resistência ao indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF).

O Planalto sustenta que vetará tudo ilegal e apresentará justificativa técnica ao país. Os aumentos regulares devem ser sancionados. Por isso, o governo tenta separar legalidade de privilégio. Ministros acreditam em solução equilibrada. Como resultado, esperam reduzir desgaste político com o Congresso.

Mais notícias