Groenlândia aumenta alerta após possível invasão dos EUA
Jens-Frederik Nielsen, premiê da Groenlândia, afirmou que autoridades estão se preparando para eventual ação militar por parte do governo de Donald Trump
Nesta terça-feira (20), o primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, concedeu uma coletiva a jornalistas locais e internacionais em Nuuk, a capital do território. Na entrevista, Nielsen afirmou que a população começou a se preparar para uma possível invasão militar.
Ele também destacou que as autoridades groenlandesas estão em preparação para uma eventual incursão militar dos Estados Unidos, com apoio de militares da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte).
Embora o premiê da ilha tenha dito achar improvável um conflito militar com os EUA, Nielsen destacou que não descarta a possibilidade e vem se preparando para isso.
O premiê da Groenlândia afirmou que ordenou que autoridades locais do governo e uma força-tarefa elaborem um guia para a população sobre como se preparar para uma eventual invasão dos EUA, como, por exemplo, estocando comida em casa e adotando medidas para se proteger.
Dinamarca e Groenlândia
Diferente do que algumas pessoas pensam, a Groenlândia não é um país independente, mas um território autônomo do Reino da Dinamarca.Desde 2009, com a Lei de Autogoverno, a Groenlândia passou a ter ampla liberdade administrativa e política.
O governo local, com capital em Nuuk, tem autoridade sobre quase tudo: educação, saúde, meio ambiente, polícia local e sistema judiciário, pesca e recursos naturais, política econômica interna, e até mesmo sobre cultura e língua — o groenlandês é a língua oficial. A ilha possui ainda um parlamento próprio (Inatsisartut) e seu próprio primeiro-ministro, Jens-Frederik Nielsen.
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Post do primeiro-ministro da Groenlândia, falando sobre possibilidade de um ataque ao território (Foto: reprodução/Instagram/@jens_frederik)
Porém, o que permanece sob o comando da Dinamarca é a política externa, defesa e forças armadas, moeda e cidadania, e relações diplomáticas formais. Ou seja, basicamente tudo que envolve o exterior. Assim, a Groenlândia acaba fazendo parte da OTAN, mesmo não sendo membro, porque a Dinamarca a representa.
Portanto, outros países da União Europeia, como Alemanha, França, Reino Unido, Noruega, Holanda e Suécia, começaram a enviar tropas para a ilha a partir da última quinta-feira (15) e planejam exercícios militares para se preparar para uma eventual invasão do território.
A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, afirmou que acredita que “o pior ainda está por vir”. Ainda nesta terça-feira (20), ela conversou com jornalistas e disse temer que a nação autônoma da Dinamarca possa ser invadida pelos Estados Unidos.
Domo de Ouro
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, manifestou interesse na Groenlândia desde pelo menos 2019, quando ainda estava em seu primeiro mandato, discutindo a possibilidade de comprar a ilha. Entretanto, no início, foi ignorado pelo governo local e pela Dinamarca. Após sua reeleição em 2024, Trump intensificou o discurso, insistindo que os EUA devem adquirir ou controlar a Groenlândia como parte de sua estratégia de segurança e do projeto do Domo de Ouro.
Esse projeto é uma ideia estratégica defendida por Trump para criar um escudo de defesa antimísseis muito mais amplo, capaz de proteger todo o território dos EUA e seus aliados-chave. Contra mísseis balísticos intercontinentais (ICBMs), mísseis hipersônicos e ataques vindos do espaço ou do Ártico, principalmente para se proteger de países como Rússia, China e Coreia do Norte.
Vídeo explicando como funciona o Domo de Ouro, projeto de defesa de Trump (Vídeo: reprodução/YouTube/Hoje no mundo militar)
Na Europa, os Estados Unidos possuem seus sistemas Aegis Ashore na Polônia e na Romênia. (Os sistemas Aegis são navios de guerra equipados com uma das tecnologias de defesa e combate mais avançadas do mundo, capazes de detectar, rastrear e interceptar ameaças aéreas e mísseis.) Possivelmente, os EUA também reforçarão sua presença no Mar Báltico com mais navios; essas proteções têm como principal objetivo conter a Rússia.
Para conter a China e a Coreia do Norte, os Estados Unidos contam com bases no Japão, na Coreia do Sul e na ilha Guam, que é uma base-chave americana no Pacífico, fica próximo ao leste das Filipinas, ao sul do Japão.
A Groenlândia é essencial para o plano do presidente dos EUA porque está no trajeto mais curto entre Rússia e Estados Unidos, permitindo detecção precoce de ameaças e instalação de sistemas de defesa estratégicos.
