Hugo Motta pretende proteger seu cargo na Câmara
O atual presidente da Câmara dos Deputados avalia estratégias para sua permanência ao lado de aliados em antecipação ao resultado das eleições deste ano
Mesmo após o resultado do primeiro turno das eleições deste ano de 2026, com grande crescimento da bancada da direita, aliados do atual presidente da Câmara dos deputados, Hugo Motta, chegam a conclusão de que o resultado da disputa pelo comando da Casa está longe de ser definido. Também é discutida a possibilidade de o Centrão fazer um movimento de autoproteção para que possa se preservar no poder e evitar que o bolsonarismo amplie sua influência no legislativo. Nos últimos anos, o congresso teve bastante força justamente por não ter nenhum alinhamento automático com o poder executivo, afirmam nomes do Centrão.
Com a direita avançando sobre as cadeiras de outros partidos, não existe tanto interesse por parte deles de fortalecer o PL ainda mais. “O PL cresceu, mas dificilmente terá, ao mesmo tempo, a presidência da República, da Câmara e do Senado, isso enfraqueceria todos os outros partidos” afirma um interlocutor do presidente da câmara.
Precipitações sobre o debate
Lideranças afirmam que o PL se precipitou ao antecipar tão prematuramente interesse em comandar a Câmara e o Senado. O próprio Flávio Bolsonaro disse, publicamente, que o congresso atualmente está “muito mais à direita do que ele é hoje” por sua maioria ser composta por seu partido (PL).
Enquanto isso, o PL deixa Motta em alerta antecipadamente, o que o levou a começar a articular a manutenção de sua posição na Casa. Aliados dizem que ele é capaz de negociar a próxima vaga que abrir no Tribunal de Contas da União (TCU), por exemplo. Motta tem o apoio público do líder do PSD, Antônio Brito (BA), anunciado nesta terça-feira, dia 13 de outubro. Sua bancada conta com mais de 40 deputados.
As expectativas são de que ele possa contar com o apoio de vários partidos, entre eles estão o Podemos e os partidos de esquerda, como o PT, PSDB, PSOL, PCdoB, PDT, PV e Rede, que, ao serem somados juntos, são 124 deputados federais.
Aliados de Motta afirmam que há resistência da oposição ao nome dele. Ao mesmo tempo, o PL não é capaz de eleger um presidente da câmara sozinho, mesmo que tenha conquistado 121 cadeiras.
Hugo Motta durante uma sessão do plenário em 2025 (foto: reprodução/getty images embed/SERGIO LIMA)
A ‘Fórmula de Lira’ é trazida à tona
A estratégia usada por Arthur Lira (PP-AL) em 2023 é constatada como opção. Ao ser eleito em 2021, Lira era apontado como um forte aliado do bolsonarismo na Câmara, mas com a vitória de Lula em 2022, dúvidas sobre sua permanência no comando da casa começaram a surgir.
“Ainda na transição de governo, Lira entregou a Lula a PEC da Transição, que abriu espaço no Orçamento para as promessas do novo governo. Neste cenário, fez uma aliança do PT ao PL e conquistou 464 votos, a maior votação já registrada em uma eleição para a presidência da Câmara”, conforme diz o portal do G1.
Antes que a ideia possa ser reutilizada, interlocutores de Motta afirmam que o ideal é esperar o resultado final do segundo turno da eleição presidencial. Caso Flávio ganhe, o presidente da Câmara pode fazer acenos ao presidente eleito antes da posse, utilizando o argumento de que o cargo em que está exige capacidade de articulação com o governo.
