Uso de armas por IA na guerra entre Rússia e Ucrânia gera alerta na ONU

Rússia utiliza drone controlado por inteligência artificial; representante da ONU disse que a situação está “perto de cruzar uma linha vermelha moral”

26 ago, 2026
António Guterres | Reprodução/Instagram/@antonioguterres
António Guterres | Reprodução/Instagram/@antonioguterres

Na última terça-feira (25), a ONU fez um pedido para os países em guerra, solicitando que eles não utilizem armas guiadas por inteligência artificial. O alerta veio após acusações da Ucrânia sobre o uso de um drone guiado pela Rússia para matar civis.

O direito internacional humanitário proíbe atacar civis e infraestrutura civil em conflitos. Para a ONU, a preocupação aumenta quando decisões de guerra envolvendo o direito à vida são determinadas por máquinas  que não diferenciam combatentes e não combatentes.

Civis morrem com ataque de drone

O jornal “The New York Times” confirmou que três civis morreram em um ataque de drone russo no dia 6 de junho, em um posto de gasolina localizado em Zaporíjia, na Ucrânia. Em declaração, o secretário da Organização das Nações Unidas, António Guterres, junto do presidente da Cruz Vermelha, Mirjana Spoljaric Egger, afirmou que: “Estamos perigosamente perto de cruzar uma linha vermelha moral: que humanos virem alvo de máquinas autônomas.” E acrescentaram que a inovação deve ser uma aliada que não coloque as pessoas em perigo:”A inovação deve servir à humanidade – não colocá-la em risco.”


 António Guterres reforça perigo do uso de IA na guerra (Foto: reprodução/X/@antonioguterres)


Conforme militares da Ucrânia, foi encontrado um minicomputador da empresa americana Nvidia, líder mundial em chips para inteligência artificial. Aplicados no contexto da guerra, esses chips permitem que o sistema seja treinado para reconhecer de forma autônoma imagens de possíveis alvos. A Nvidia se posicionou e declarou que produz o chip comercialmente para usos benéficos e que ele não é vendido na Rússia.

Os drones estão sendo utilizados pela Rússia e Ucrânia desde o início da guerra; porém, a inteligência artificial controlava apenas os aparelhos na fase final do ataque, através de um ser humano ter determinado onde atacar, as chamadas armas semiautônomas. No entanto, com o uso de IA, a própria máquina decide quem é o alvo.

Consequências do uso de IA na guerra

Segundo Guterres e Egger, o pedido também é uma preocupação com as gerações futuras, sendo importantes as proibições para poder estabelecer e garantir os direitos humanos: “Os Estados têm responsabilidade com aqueles que já sofrem as consequências dos conflitos atuais e com aqueles que herdarão o mundo que agora está sendo moldado. As futuras gerações perguntarão se os líderes agiram quando ainda havia chance de impor limites antes que essas armas se multiplicassem além do controle.”


 Nações Unidas comenta posicionamento de Guterres (Foto: reprodução /X/@NacoesUnidas)


A chefe do serviço de desarmamento das Nações Unidas, Carolyne Melanie, afirmou que a comunidade internacional precisa tomar medidas eficazes na regulamentação da IA: “Algumas decisões devem permanecer para sempre com seres humanos. Especialmente a de acabar ou não com uma vida.”

Os representantes disseram que a próxima Conferência de Revisão da Convenção sobre Certas Armas Convencionais vai ocorrer em novembro, para avançar nos debates sobre o tema. Reforçaram também que o trabalho feito nos últimos três anos é a base necessária para negociar e deve ser aproveitado.

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