Decisão de Mendonça expõe bastidores de investigação contra Daniel Vorcaro

Relatório aponta que ex-banqueiro custeou R$ 460 mil em viagens para senador e tentou acionar cúpula da PGR pouco antes de ser preso por fraudes

17 jun, 2026
Daniel Vorcaro | Reprodução/X/@gazetadopovo
Daniel Vorcaro | Reprodução/X/@gazetadopovo

A determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), de quebra de sigilo de parte da investigação da Polícia Federal contra Daniel Vorcaro trouxe à tona uma série de verdades difíceis de engolir para a opinião pública. Os relatórios oficiais da corporação revelaram de forma nítida a existência de ligações pessoais estreitas, fortes laços de amizade e relações econômicas de Vorcaro com integrantes de toda a classe política nacional.

Provas apontam regalias e influência profunda

As provas deixam claro quão profunda era a influência do ex-banqueiro, apontado como responsável pela maior fraude financeira da história do país. Os benefícios iam desde o pagamento de viagens para destinos na Europa voltadas a parlamentares até informações privilegiadas obtidas por meio da relação próxima com funcionários públicos de alta cúpula.


Daniel Vorcaro e Ciro Nogueira (Foto: Reprodução/X/@republiquebra)


A relação mais direta constatada entre Vorcaro e um político ocorreu com o senador Ciro Nogueira (PP-PI). O ex-banqueiro custeou pelo menos R$ 460 mil em viagens e jantares distribuídos por quatro países distintos para o parlamentar. Além disso, houve repasses mensais de centenas de milhares de reais ao longo de 20 meses, o que totalizou pelo menos 6 milhões de reais.

Relatório da Polícia Federal detalha as conexões

A Polícia Federal declarou formalmente sobre o caso: “Tal vínculo de amizade transcende a mera relação pessoal, revelando-se, na verdade, uma relação funcional e instrumental, estruturada a partir da convergência de interesses ilícitos e orientada pelo benefício mútuo extraído por cada um dos envolvidos”.

No celular de Vorcaro, os investigadores da PF identificaram o pagamento de hospedagens voltadas para Ciro Nogueira e Hugo Motta, sendo que este último declarou que a situação não passou de um evento corporativo.


Ciro Nogueira e Hugo Motta (Foto: Reprodução/X/depchicoalencar)


A investigação aponta ainda que existia influência de Vorcaro no Banco Central, local onde ele conseguiu dados privilegiados de uma reunião que aconteceria entre o BC e a PF sobre as apurações envolvendo o Banco Master.

Acesso a informações e tentativas de contato

Além do mais, o ex-banqueiro sabia de forma antecipada em qual vara judicial as irregularidades seriam julgadas e soube também da reação negativa do mercado à chamada “Emenda Master”, medida que previa o aumento do teto do FGC (Fundo Garantidor de Crédito) de 250 mil reais para 1 milhão de reais.

Pouco antes de sua prisão ser efetuada, Vorcaro tentou acionar os diretores da PF e o procurador-geral da República, Paulo Gonet. Segundo o relatório preliminar da PF, o ex-banqueiro pediu a uma pessoa que teve sua identidade preservada, que reforçasse aos diretores a mensagem de que não praticassem “alguma sacanagem”, manifestando forte preocupação de ver seus planos desmoronarem. Esse conteúdo, obtido pela investigação policial, estava guardado no bloco de notas do celular de Daniel Vorcaro.

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