Joesley Batista e Trump discutem redução de tarifa sobre carne brasileira, diz jornal
Encontro na Casa Branca ocorreu em 20 de agosto; Trump divulgou medida no dia seguinte com objetivo de ampliar importações e reduzir preços
O controlador da JBS Joesley Batista se encontrou com Donald Trump no Salão Oval da Casa Branca no dia 20 de agosto para debater a redução das tarifas incidentes sobre a importação de carne bovina brasileira. Segundo o The Wall Street Journal, pessoas com conhecimento dos detalhes da reunião informaram que os dois conversaram sobre como elevar o volume de fornecimento de carne do Brasil poderia contribuir para diminuir os preços americanos.
Trump anunciou um dia depois um programa temporário visando expandir as importações de carne com desconto de 25% para os produtos. A tarifa atual sobre carne bovina importada do Brasil para os EUA é de 26%, conforme dados reportados pelo jornal americano.
Pressão interna nos EUA
A escalada dos preços da carne vermelha coloca pressão sobre a administração Trump, que se empenha em reduzir custos de itens essenciais para os consumidores americanos. A JBS opera como uma das maiores processadoras de carne nos Estados Unidos, posição que amplificaria seus ganhos com a abertura do mercado americano para mais produtos brasileiros.
O anúncio provocou reação adversa de pecuaristas locais e legisladores republicanos. A National Cattlemen’s Beef Association, principal organização do setor nos EUA, se opôs frontalmente à iniciativa.
“A intervenção do governo só prejudicará os produtores e dificultará a estabilidade de longo prazo da indústria de carne bovina”, disse a National Cattlemen’s Beef Association.
Em estados com forte tradição agrícola, republicanos enfrentam disputas eleitorais acirradas e não podem desconsiderar o desagrado do setor, fundamental para suas bases eleitorais.
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Joesley Batista (Foto: reprodução/Instagram/@joesleybatista)
Poder da JBS na administração
Segundo o The Wall Street Journal, a JBS exerceu influência significativa sobre as posições que Trump adotaria quanto às importações de carne. A Pilgrim’s Pride, empresa controlada pela JBS, doou US$ 5 milhões para os eventos de posse do presidente, de acordo com dados divulgados pelo jornal.
O Departamento de Justiça americano conduz investigação envolvendo as quatro maiores processadoras de carne do país, incluindo a JBS, para apurar possível participação em atividades anticompetitivas. As empresas refutam as acusações.
Tyson Foods e JBS desativaram unidades produtivas após acumular centenas de milhões em prejuízos com o processamento de carne bovina, de acordo com o G1. Ambas enfrentavam dificuldades econômicas decorrentes dos preços elevados do gado.
Aumentar importações de produtos do Brasil permitiria à JBS fortalecer sua participação no mercado americano. O Brasil detém o posto de maior produtor de carne bovina do planeta, e essa estratégia alinharia os interesses corporativos com a agenda econômica de Trump.
Entre janeiro e junho de 2025, o Brasil exportou US$ 1,5 bilhão em carne bovina aos Estados Unidos, representando crescimento de 10% frente ao mesmo semestre do ano anterior, segundo o Departamento de Agricultura dos EUA.
