Falas de Lula e Milei abrem crises diplomáticas com Paraguai e Argentina
Ofensas de Milei e fala de Lula sobre guerra do Paraguai criam crise no Mercosul, travam acordos comerciais e expõem o isolamento do Brasil na região
Declarações do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva e do argentino Javier Milei abriram duas frentes de crise na política externa brasileira com vizinhos do Mercosul nesta semana. O Brasil completou sete dias sem comando na embaixada na Argentina após discursos desrespeitosos de Milei, ao mesmo tempo em que o governo paraguaio cobrou explicações sobre falas de Lula a respeito da invasão que motivou a Guerra do Paraguai.
A convocação do embaixador Julio Bitelli para voltar ao Brasil e as sucessivas reuniões com o chanceler Mauro Vieira já evidenciam uma grave crise diplomática entre Brasil e Argentina. O desgaste veio após o presidente argentino proferir ataques a Lula e Alexandre de Moraes durante um evento do PL em São Paulo.
Brasil sem embaixador na Argentina
No último dia 26 de julho, o Itamaraty convocou o embaixador Júlio Bitelli de volta a Brasília para consultas. A decisão do governo brasileiro foi uma resposta aos discursos de Milei durante um evento do PL, onde o líder argentino desferiu ofensas a autoridades brasileiras. Embora diplomatas de ambos os países tentem apaziguar os ânimos para proteger o comércio dos dois países, ainda não há uma data definida para o retorno do embaixador ao posto.
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Javier Milei voltou a criticar Lula em entrevista neste domingo (2/8) (Vídeo: reprodução/Instagram/@lanacionmais)
A crise ganhou novos desdobramentos neste domingo (2), quando Milei voltou a atacar Lula em uma entrevista ao canal La Nación+. Em suas falas, o argentino reiterou acusações de corrupção contra o petista e questionou as decisões judiciais que anularam suas condenações na Operação Lava Jato. “Ele é um ladrão, um corrupto. Não é inocente. Foi liberado por uma falha no processo jurídico”, completou.
Crise com o Paraguai
Durante um discurso na fábrica de sistemas de defesa Avibras, em Jacareí (SP), na última quinta-feira (30), o presidente Lula declarou: “A gente gosta de paz, mas não pode esquecer que um belo dia o Paraguai resolveu invadir o Brasil.” Ao defender maiores investimentos na preparação das Forças Armadas. O presidente brasileiro complementou afirmando que a disputa, “que parecia que era nada, durou cinco anos”, o que desencadeou imediata reação das lideranças políticas do país vizinho.
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Lula fala sobre guerra do Paraguai em ao defender investimentos militares (Vídeo: reprodução/Instagram/@abcdigital)
O Congresso do Paraguai aprovou uma moção de repúdio, e o presidente da Câmara dos Deputados, Raúl Latorre, rebateu dizendo que o petista falou com “demasiada leveza sobre a maior tragédia da nossa história, o maior genocídio do nosso continente”. Como consequência da crise, o chanceler Rubén Ramírez Lezcano convocou o embaixador brasileiro, José Antônio Marcondes de Carvalho, para entregar uma nota de protesto e reabriu uma antiga cobrança diplomática. Os paraguaios exigem a devolução de troféus confiscados pelo Brasil na Guerra da Tríplice Aliança.
