Lula cobra explicações de Trump após proposta dos EUA de taxar importações brasileiras

Governo brasileiro reage com indignação à recomendação da USTR e promete reciprocidade caso novas tarifas sejam efetivamente implementadas

02 jun, 2026
Registro do último encontro entre Trump e Lula, que ocorreu em maio | Reprodução/Ricardo Stuckert/PR/Flickr
Registro do último encontro entre Trump e Lula, que ocorreu em maio | Reprodução/Ricardo Stuckert/PR/Flickr

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira (2), durante um evento em Catalão (GO), que aguarda um telefonema do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para esclarecer a proposta de impor tarifas de 25% sobre todas as importações brasileiras. A medida foi recomendada na segunda-feira (1) pela Representação Comercial dos EUA (USTR) e, segundo Lula, contraria o entendimento firmado entre os dois líderes durante encontro realizado em maio, quando ambos acertaram a criação de uma equipe de trabalho para negociar questões tarifárias em até 30 dias.

USTR recomenda tarifas sobre produtos brasileiros

Na noite da última segunda-feira (1), a Representação Comercial dos EUA (USTR) propôs a imposição de um novo tarifaço às importações brasileiras. No documento, o órgão americano afirma que algumas políticas do governo brasileiro são passíveis de ação judicial nos termos da chamada Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, mecanismo utilizado para investigar práticas consideradas injustas ou discriminatórias contra empresas e interesses norte-americanos.

O documento afirma que “certos atos, políticas e práticas do Brasil relacionados ao comércio digital e serviços de pagamento eletrônico; tarifas preferenciais desleais; aplicação de medidas anticorrupção; proteção da propriedade intelectual; acesso ao mercado de etanol; e desmatamento ilegal são irrazoáveis ​​e oneram ou restringem o comércio dos EUA”. A recomendação prevê a aplicação de tarifas adicionais sobre produtos brasileiros importados pelos EUA. A proposta ainda deverá passar pelas etapas previstas na legislação americana antes de uma decisão final do governo Trump.


 

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Lula fala sobre proposta de taxação de importações brasileiras (Vídeo: reprodução/Instagram/@portalg1)


Ao comentar o caso, Lula relembrou a fala de Trump sobre a boa relação entre os dois e afirmou que a recomendação não condiz com o acordo firmado durante o encontro realizado no mês passado. “Então, Trump, é o seguinte, cara: Você disse que pintou uma química entre eu e você. Quem anunciou isso não foi você e nem eu. Esse acordo não pode ter sua anuência, porque nós dois combinamos 30 dias para poder ter uma resposta sobre o que nós propusemos”, disse o presidente brasileiro. “Então, eu tô esperando um telefonema seu para me explicar o que aconteceu na sua ausência e na minha ausência”, acrescentou.

Governo reage e cita influência da família Bolsonaro

Em nota oficial, o governo federal afirmou receber com “indignação” a proposta de novas tarifas sobre produtos brasileiros. O documento sustenta que a investigação sobre supostas práticas comerciais desleais do Brasil e a possível adoção de medidas tarifárias têm relação com a atuação da família do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) nos Estados Unidos.

Segundo o comunicado, a viagem do senador Flávio Bolsonaro a Washington na semana passada, quando se reuniu com Trump, teria influenciado diretamente a decisão anunciada pela USTR. “Essa investigação teve início em 15 de julho de 2025 por provocação da família Bolsonaro e está associada à tentativa de ingerência em temas internos do nosso país, como feito na recente viagem do senador Flávio Bolsonaro a Washington. Essas investidas têm contado com o auxílio de falsos patriotas que usam cargos e funções públicas para conspirar contra os interesses nacionais”, diz o texto.

O comunicado também afirma que as tarifas têm caráter político e foram adotadas com o objetivo de prejudicar a economia brasileira, afetando a criação de empregos e a geração de renda no país. Além disso, o documento sinalizou que o Brasil pretende buscar uma solução diplomática para o impasse, mas ressaltou que adotará medidas de reciprocidade caso as tarifas sejam efetivamente implementadas.

A crise comercial entre Brasil e Estados Unidos ocorre em um momento de aproximação entre Lula e Trump, que haviam concordado em manter negociações para resolver disputas tarifárias. Enquanto o governo brasileiro aposta no diálogo para evitar uma escalada das tensões, a possibilidade de novas tarifas amplia a incerteza sobre o futuro das relações comerciais entre os dois países e pode afetar setores estratégicos da economia nacional caso as medidas sejam confirmadas.

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