Lula prepara conversa com Trump para tentar reduzir tensão entre Brasil e Estados Unidos
Tarifas, crise diplomática, visto da embaixadora e guerra na Ucrânia devem dominar pauta entre Lula e Trump; governo enfatiza soberania brasileira
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pretende conversar com Donald Trump na próxima semana. A iniciativa ocorre durante uma escalada diplomática entre Brasil e Estados Unidos. Além disso, aliados consideram o diálogo uma oportunidade para reduzir as tensões bilaterais.
Lula informou a intenção durante reunião com representantes de partidos da esquerda, realizada na quarta-feira. Entretanto, interlocutores afirmam que o telefonema ainda não possui data definida. Mesmo assim, o governo trabalha com a expectativa de discutir temas considerados estratégicos.
Tarifas e impasse diplomático
Entre os principais assuntos está o novo pacote tarifário imposto pelos Estados Unidos (EUA) sobre produtos brasileiros. Desde então, o governo brasileiro busca alternativas para reduzir os impactos econômicos da medida. Paralelamente, o Brasil acionou a Organização Mundial do Comércio (OMC), enquanto mantém negociações diplomáticas.
Outro tema relevante envolve a revogação temporária do visto da embaixadora brasileira nos Estados Unidos, Maria Luiza Viotti. O governo americano justificou a decisão como uma medida de reciprocidade diplomática e afirmou que o Brasil ainda não concedeu o agrément ao diplomata Daniel Perez, indicado para chefiar a embaixada americana em Brasília. Diante desse cenário, integrantes do Palácio do Planalto defendem utilizar a conversa para tentar destravar o impasse. Além disso, esperam evitar novos desgastes na relação entre os dois países.
Guerra na Ucrânia e eleições entram no radar
Durante a reunião, Lula também voltou a defender o encerramento da guerra na Ucrânia. Ao mesmo tempo, criticou o funcionamento do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas. Segundo relatos, o presidente considera necessária uma atuação internacional mais efetiva para alcançar uma solução negociada.
Donald Trump em reunião bilateral com Lula da Silva, em outubro de 2025 (Fotos: reprodução/Andrew Harnik/Getty Images Embed)
Embora Lula não tenha detalhado toda a pauta, aliados acreditam que outros assuntos poderão surgir naturalmente. Entre eles, destacam-se os desdobramentos políticos da crise diplomática e seus reflexos nas relações bilaterais. Integrantes próximos ao presidente afirmam que o governo interpreta as recentes medidas americanas como iniciativas de caráter político. Segundo essa avaliação, as decisões poderiam influenciar o ambiente eleitoral brasileiro antes das eleições de outubro.
Planalto reforça discurso de soberania nacional
Aliados de Lula sustentam que o governo continuará enfatizando a defesa da soberania brasileira. Além disso, integrantes do Planalto pretendem ampliar críticas ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e argumentam que o parlamentar mantém proximidade com Trump e com o secretário de Estado, Marco Rubio.
Nesse contexto, governistas pretendem afirmar que interesses externos não devem interferir na política brasileira. Ao mesmo tempo, interlocutores relatam que Lula ainda avalia possíveis respostas diplomáticas às decisões americanas. Já outra possibilidade analisada envolve manter suspensa a concessão de novos agréments para representantes americanos. Segundo aliados, essa posição poderá permanecer até o encerramento do processo eleitoral. Assim, a conversa entre Lula e Trump ganha importância como tentativa de reduzir atritos e preservar os canais diplomáticos entre os dois governos.
