Lula diz que candidatos que ‘lacram na internet’ não têm preparo para ser presidente
Em entrevista à Record TV, exibida no domingo (23), o presidente comparou cenário atual com disputas contra adversários do PSDB e mencionou saudade de ‘grandes nomes’ da política
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou candidatos que tentam ‘lacrar na internet’ para chegar à presidência, afirmando que ser presidente é ‘coisa séria’ e não brincadeira. Em entrevista à Record TV, exibida no domingo (23), Lula disse que o nível dos adversários caiu muito em comparação com antigos opositores, como José Serra e Fernando Henrique Cardoso.
Segundo Lula, há pessoas que acreditam que exposição na internet é suficiente para candidatura. O presidente afirmou que muitos candidatos apostam em conteúdos viralizados nas redes sociais como estratégia principal de campanha, sem compreender o peso real da função.
“Tem gente que acha que pode ser candidato por causa da internet. Tem gente que acha que brincar na internet ou lacrar na internet dá ele o direito de ser presidente da República. Ser presidente é diferente, é tomar decisões. Tomar decisões é uma coisa séria, não é brincadeira. Então, eu acho que caiu, empobreceu”, disse Lula em entrevista à Record TV.
A comparação com adversários do passado
Lula comparou o cenário político atual com disputas eleitorais anteriores. O presidente mencionou José Serra e Fernando Henrique Cardoso como exemplos de adversários que possuíam maior preparo político, e afirmou que o nível dos candidatos caiu significativamente em relação àqueles tempos.
Esta é a sétima vez que Lula disputa a presidência da República, segundo informação exclusiva do O Globo. Durante o fim de semana, enquanto Lula concedia entrevista à Record TV, outros candidatos participavam de debate televisivo promovido pela Band. Flávio Bolsonaro e Romeu Zema também não compareceram ao debate.
Lula critica candidatos que ‘lacram na internet’ (Vídeo: reprodução/YouTube/Domingo Espetacular)
O papel das redes sociais nas campanhas
Candidatos como Renan Santos e Pablo Marçal concentram boa parte de suas estratégias no ambiente digital, buscando transformar alcance, engajamento e conteúdos viralizados em apoio nas urnas. Essa aposta em redes sociais reflete uma mudança na dinâmica das campanhas presidenciais brasileiras, com foco em criação de conteúdo que mobilize seguidores.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) vetou o acesso de Pablo Marçal aos recursos públicos de campanha eleitoral, impedindo propaganda eleitoral gratuita no rádio e televisão e participação em debates. Marçal anunciou filiação ao PRTB e candidatura à Presidência da República, mas o TSE decidiu que, até a avaliação do registro de candidatura, o candidato não poderá promover nenhuma ação como candidato.
A decisão do tribunal busca padronizar as regras para candidatos em processo de filiação e registro. O uso das redes sociais mantém papel central na campanha eleitoral, enquanto Lula afirma que a política brasileira perdeu qualidade nos últimos anos.
