Lula critica interferência dos EUA em entrevista à CNN e cita Saddam Hussein
Em entrevista à CNN, presidente também abordou a situação da Venezuela, a guerra contra o Irã e as tarifas impostas ao Brasil por Donald Trump
Em uma entrevista ao canal da CNN nesta segunda-feira (21), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva cita o falecido governante do Iraque, Saddam Hussein, ao fazer uma crítica em relação às interferências estadunidenses ao redor do mundo. O ex-governante morreu enforcado em 2006, três anos após ser capturado por forças dos Estados Unidos.
Na entrevista, Lula reclama do que considera uma necessidade constante dos Estados Unidos de interferirem na política externa de outros países, dando o exemplo de Saddam Hussein: “[…] onde estão as armas químicas que todos diziam que Saddam Hussein possuía? Onde estão essas armas químicas?“, disse o presidente.
Presidente questionou as justificativas utilizadas pelos Estados Unidos para intervenções em outros países
A entrevista também contou com outras críticas e falas em relação ao país. O presidente destacou o quão severo foi o que aconteceu no começo deste ano na Venezuela, com o ex-presidente Nicolás Maduro tendo sido capturado, também por forças americanas em Caracas, e estando preso em solo estadunidense desde o dia 3 de janeiro. Lula disse: “Os EUA passam a ideia de que estão governando a Venezuela. Essa é a mensagem que eles estão transmitindo. Em todos os documentos que lemos, nos acordos, parece que os EUA são os grandes chefes da Venezuela; a soberania do país chegou ao fim“. Nicolás foi acusado pelos Estados Unidos de estar envolvido em tráfico de armas e de drogas.

Nicolás Maduro a bordo do USS Iwo Jima (Foto: reprodução/TruthSocial/@realDonaldTrump)
A guerra contra o Irã também não ficou de fora. Em uma crítica não só ao presidente Trump, mas também ao Conselho de Segurança da ONU, Lula destaca como essa guerra está afetando o preço dos combustíveis, dos fertilizantes e também dos alimentos. O presidente também acusa Donald Trump de agir como um imperador, falando sobre uma forma de governar baseada na lei do mais forte e, novamente, cita o Irã como exemplo: “Onde está a bomba nuclear que o Irã possui? Em 2010, fui ao Irã para negociar com Ahmadinejad e com o presidente Erdogan, na Turquia; mas os EUA e a Europa não aceitaram o nosso acordo com o Irã. […] Não há bomba nuclear no Irã. Agora, eles partiram para a guerra contra o Irã“.

Imagem de Teerã durante a guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã (Foto: reprodução/Instagram/@mohammadmohsenifar)
Lula critíca tarifas de Trump e afirma que Brasil busca ampliar relações comerciais
Outro assunto tocado na entrevista foi em relação às tarifas de alguns produtos brasileiros. Lula afirmou que às tarifas impostas pelos Estados Unidos foram baseadas em “mentiras” e destacou que, após a adoção das sobretaxa, as exportações brasileiras para o mercado americano caíram 9%, enquanto as importações de produtos dos EUA recuaram 8,5%.
Diante desse cenário, o presidente também disse que não vai “ficar apenas tentando chorar pelo leite derramado […]” e que o Brasil tem buscado ampliar seus parceiros comerciais. Segundo ele, o comércio brasileiro teve um crescimento médio de 10,5% com 57 países, que inclui “20% com a China, 18% com o Japão, 16% com a Alemanha, 8% com a Indonésia, 14% com o Vietnã” e um registro de 23% de crescimento no comércio com a União Europeia.
Sobre a possibilidade de aplicar a lei da reciprocidade aos Estados Unidos, o presidente afirmou que prefere aguardar o resultado das negociações com Donald Trump. Lula disse que, enquanto as conversas estiverem em andamento, não considera necessário adotar a medida. No entanto, ele acrescentou que aplicará a lei da reciprocidade caso não haja um acordo.
