Lula e Fachin se reúnem em meio a crise no STF

Presidente vem sendo pressionado a adotar uma postura mais firme diante das denúncias envolvendo o ministro do STF, Alexandre de Moraes

04 set, 2026
Ministro Edson Fachin e Alexandre de Moraes, atuais presidente e vice-presidente do STF (Reprodução/Marcelo Camargo/G1)
Ministro Edson Fachin e Alexandre de Moraes, atuais presidente e vice-presidente do STF (Reprodução/Marcelo Camargo/G1)
Ministros Edson Fachin e Alexandre de Moraes

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, se reuniram nesta sexta-feira (4) em meio à crise que assola a corte após a divulgação de uma troca de mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e o empresário Daniel Vorcaro.

O encontro acontece após membros do Supremo demonstrarem insatisfação com a atuação do governo diante das críticas e denúncias. De acordo com relatos, ministros pressionaram Lula para que ele tivesse uma reação mais contundente para garantir a preservação da imagem institucional da Corte.

A crise ganhou destaque após documentos da Polícia Federal virem a público mostrando uma troca de mensagens entre Vorcaro e Moraes. O caso também provocou uma rixa entre os ministros do Supremo. André Mendonça, responsável pela relatoria das investigações envolvendo o Banco Master, se tornou alvo de um pedido de investigação feito por Moraes.

Nesta quinta (3), Fachin determinou que Mendonça, Moraes, diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, façam explicações sobre as declarações e sobre quais procedimentos foram adotados na ação.

Fachin busca brecha institucional

O presidente do Supremo tenta reverter a crise de forma institucional e busca preservar a credibilidade da Corte em meio ao desgaste. Lula já tinha se encontrado com Fachin e, logo após, com o ministro Gilmar Mendes para debater sobre o desenrolar da história.


Alexandre de Moraes e André Mendonça
Alexandre de Moraes e André Mendonça (Foto: Reprodução/Antonio Augusto/STF)

A análise do ambiente presidencial é que o governo federal deveria evitar reações defensivas sobre qualquer integrante da Corte e defender o princípio de que haja uma apuração das denúncias. A estratégia visa também evitar que a crise seja inserida em discursos da oposição durante a campanha eleitoral.

Em um último encontro com Lula, Fachin sinalizou que deve adotar medidas para enfrentar o desgaste causado pelos últimos acontecimentos. Lula, por sua vez, defende adotar uma postura de distanciamento diante das acusações e do discurso de que ninguém está acima da lei.

Crise amplia tensão na Corte

Além das denúncias envolvendo Vorcaro e Moraes, o caso causou uma rixa interna no STF sobre a forma como os processos estão sendo conduzidos e o acesso público a informações confidenciais.

Moraes acusa Mendonça de abuso de autoridade e de atuar de maneira monocrática no processo. Já Mendonça tornou públicos documentos que estavam sob confidencialidade processual e que desencadearam a crise atual.

Diante da situação, o presidente da Corte passou a adotar uma posição neutra no intuito de evitar que a rixa entre os magistrados se transforme em uma ruptura política ainda maior. A perspectiva é de que o diálogo com Lula se concentre principalmente na preservação do órgão e nas próximas etapas à frente das denúncias.

 

Mais notícias