Lula e Flávio Bolsonaro trocam acusações no primeiro debate entre os candidatos
Após ausências em programas no primeiro turno, atual presidente e o senador se encontram pela primeira vez a sete dias do segundo turno
Neste domingo (18), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) protagonizaram o primeiro debate presidencial do segundo turno das eleições. A sete dias do pleito, o encontro foi marcado por interrupções e acusações entre os candidatos.
No campo das propostas, temas como segurança pública, saúde e o fim da escala 6×1 foram discutidos ao longo do embate.
Ao ataque
Os candidatos a presidente que passaram para o segundo turno, Lula e Flávio Bolsonaro, se encontraram pela primeira vez no debate organizado pelo grupo Bandeirantes e pelo pool de veículos formado pela TV Gazeta, TV Cultura, Jovem Pan e o jornal “O Estado de S. Paulo”.
No primeiro bloco, perguntado sobre segurança pública, Flávio Bolsonaro afirmou que, caso eleito, irá declarar facções criminosas e milícias como organizações narcoterroristas, além de buscar recuperar territórios ocupados por esses grupos. Já Lula citou a PEC da segurança pública, que, segundo o presidente, amplia o poder da União nessa questão.
Ainda na primeira etapa do debate, os dois candidatos trocaram acusações. Flávio citou a empresária Roberta Luchsinger, que afirmou que Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, alvo de três inquéritos da Polícia Federal (PF) por suposta participação na fraude do INSS, se reunia regularmente com ministros do atual governo. Lula, por sua vez, citou Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master, que foi procurado por Flávio para um envio de financiamento para a promoção de “Dark Horse”, filme que conta a história política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O petista questionou Flávio, que, enquanto advogado, defendeu Bruno Delaroli, policial militar acusado de assassinar uma criança de 5 anos em 2021, além de sua homenagem a um dos participantes na execução da vereadora Marielle Franco, e o apoio do senador ao projeto que eliminaria a marcação de munições, dificultando o rastreamento das armas. O candidato do PL, por sua vez, relembrou a condenação de seu adversário na operação Lava Jato, mencionando o ex-juiz Sérgio Moro e o coordenador da operação, Deltan Dallagnol, protagonistas do caso.
Candidatos trocam acusações no primeiro bloco do debate presidencial (Foto: reprodução/AFP/Nelson Almeida/Getty Images Embed)
Propostas
No segundo bloco, perguntado sobre saúde, Flávio Bolsonaro afirmou que transformará o Sistema Único de Saúde (SUS) no “padrão Einstein”, criando um prontuário eletrônico único, com informações das redes municipal, estadual, federal e privada integradas pelo CPF, defendendo também a telemedicina e a inteligência artificial para facilitar os atendimentos.
Na sequência, Lula aproveitou o tema para criticar a gestão Bolsonaro no combate à pandemia, o que levou Flávio Bolsonaro a admitir que houve uma má condução da crise no governo de seu pai.
Ainda na segunda etapa, a saída temporária de presidiários tomou o centro do debate. Após o senador citar dois casos de usuários do benefício que voltaram a cometer crimes, o presidente declarou que a “saidinha” é concedida apenas àqueles que cometem crimes hediondos.
Em relação ao fim da escala 6×1, aprovada na última semana, Flávio Bolsonaro afirmou que passou a aprovar a medida após conversar com trabalhadores. Lula aproveitou para criticar o histórico profissional de seu adversário.
Produtividade
No terceiro bloco, Lula questiona Flávio sobre uma possível relação com os EUA que não fosse vantajosa para o Brasil. O filho de Jair Bolsonaro respondeu que, enquanto o petista não se mobilizava, o senador foi à Casa Branca para dialogar com o presidente norte-americano, Donald Trump, sobre as tarifas americanas impostas ao país.
Sobre segurança pública na terceira etapa do programa, Flávio Bolsonaro defendeu a castração química a quem cometer crime de abuso sexual, endurecimento das penas para crimes como roubo de celular e ironizou o fato de Lula ser favorável à redução da maioridade penal na reta final da campanha.
Lula ainda propôs que, tanto ele quanto seu adversário, abrissem as contas bancárias para que a população tomasse conhecimento se haveria, ou não, algum negócio ilícito de algum dos lados.
No próximo domingo (25), Lula e Flávio Bolsonaro disputam a preferência do eleitor na disputa do segundo turno das eleições presidenciais. No primeiro turno, Flávio terminou a frente, com 47,03% dos votos, contra 45,16% de Lula.
