Governo e PT evitam repercutir encontro entre Flávio Bolsonaro e Trump
Estratégia busca ignorar reunião entre presidente americano e senador brasileiro para evitar desvio de foco da crise envolvendo Vorcaro
O governo do atual presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), tomou a reunião realizada entre o senador Flávio Bolsonaro (RJ) e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nesta terça-feira (26), na Casa Branca, como mera “tietagem explícita“. A escolha adotada pelos apoiadores de Lula foi por ignorar o encontro que estaria sendo aproveitado para desviar atenções para a recente crise de Flávio Bolsonaro e seu contato com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.
Ligação entre Flávio e Vorcaro e o impacto na candidatura
A notícia revelada pelo site Intercept informou que Flávio havia entrado em contato com Daniel Vorcaro, ex-banqueiro acusado de fraude bilionária, pedindo patrocínio para o filme “Dark Horse“, que conta a história de seu pai, Jair Bolsonaro. A repercussão fez com que Flávio Bolsonaro, atualmente senador e pré-candidato do PL ao Palácio do Planalto, visse Lula disparar na frente das pesquisas de intenções de voto para o cargo.
Encontro entre Flávio Bolsonaro e Donald Trump gera análises (Vídeo: reprodução/YouTube/@CNNbrasil)
Com Lula liderando as pesquisas, na visão de seus apoiadores, a repercussão da visita de Flávio ajudaria o candidato na tentativa de amenizar a situação de crise. Logo, por essa razão, tomaram a decisão de ignorar o encontro, além de também acreditarem que as recentes conversas entre Lula e Trump tenham o poder de neutralizar qualquer influência bolsonarista.
Encontro de Trump e Flávio
Além de Flávio, seu irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, e seu empresário Paulo Figueiredo, também estiveram presentes na reunião junto do atual presidente americano. Após o encontro, Flávio destacou ser a primeira vez em que Trump recebe um pré-candidato ao Palácio do Planalto e informou ter entregue documentos ao republicano, além de ter defendido que facções criminosas como Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) sejam definidas como organizações terroristas.
Segundo o próprio filho de Bolsonaro, a reunião abordou assuntos como terras raras e o tarifaço a produtos brasileiros. No entanto, petistas avaliam que o encontro pode acabar sendo um “tiro no pé” pela presença de Eduardo e Paulo juntos de Flávio. Ambos teriam atuado nos EUA pela aplicação de tarifas a produtos do Brasil e sanções às autoridades brasileiras, justamente pelo motivo ao que levou ao aumento da popularidade de Lula.
