Lula busca diálogo com Trump no G7 para evitar tarifaço
Encontro entre os presidentes durante a cúpula do G7 pode destravar negociações comerciais e ainda evitar outros impactos na economia brasileira
O governo brasileiro aposta em um possível encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante a reunião do G7, na próxima semana, para tentar impedir a adoção de novas tarifas comerciais contra produtos brasileiros. Diplomatas envolvidos nas negociações afirmam que argumentos técnicos apresentados pelo Brasil foram ignorados pelas autoridades americanas.
A avaliação dentro do Palácio do Planalto é de que as recomendações feitas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) possuem forte componente político e não refletem os esclarecimentos fornecidos pelo governo brasileiro sobre temas como desmatamento, PIX, etanol e propriedade intelectual.
Governo aposta em negociação direta entre os presidentes
A expectativa de integrantes do governo é que uma conversa direta entre Lula e Trump possa abrir um novo canal de diálogo e destravar as negociações comerciais. Nos últimos meses, representantes dos dois países participaram de reuniões presenciais e virtuais para discutir os questionamentos levantados pelos Estados Unidos.
O USTR recomendou que o Brasil seja alvo de novas tarifas sob a alegação de práticas econômicas consideradas desleais para empresários americanos. A medida foi baseada na chamada Seção 301 da legislação comercial dos Estados Unidos, instrumento utilizado para investigar políticas comerciais de outros países.
Lula tenta frear tarifaço (Vídeo: reprodução/YouTube/TVT)
Segundo diplomatas brasileiros, dados oficiais foram apresentados durante todas as etapas das negociações. Entre os argumentos defendidos pelo Brasil estão os avanços no combate ao desmatamento ilegal e esclarecimentos sobre o funcionamento do sistema de pagamentos instantâneos PIX.
Lula participará da reunião do G7 a convite do presidente da França, Emmanuel Macron, anfitrião do encontro deste ano. Embora o Brasil não integre o grupo das sete maiores economias industrializadas do mundo, o país costuma ser convidado para participar de discussões estratégicas globais.
Lei da Reciprocidade permanece como alternativa
Enquanto busca uma solução diplomática, o governo brasileiro mantém à disposição a chamada Lei da Reciprocidade. A legislação foi aprovada pelo Congresso Nacional e permite que o Brasil adote medidas equivalentes caso parceiros comerciais imponham barreiras consideradas prejudiciais à economia nacional.
Apesar disso, a orientação predominante no Itamaraty é evitar uma escalada das tensões comerciais. Diplomatas avaliam que uma resposta imediata baseada na reciprocidade poderia gerar impactos negativos para ambos os lados.
Os Estados Unidos ocupam atualmente a posição de segundo maior parceiro comercial do Brasil, atrás apenas da China. Por esse motivo, autoridades brasileiras consideram prioritário preservar a relação econômica bilateral e buscar uma solução negociada.
Caso o encontro entre Lula e Trump seja confirmado durante o G7, a conversa poderá representar uma oportunidade decisiva para reduzir atritos comerciais e evitar prejuízos ao fluxo de comércio entre as duas maiores economias do continente americano.
