Marrocos tenta conter migração de 100 mil para Espanha em êxodo que já deixa mortos e desaparecidos
Com 72 mortes e buscas por desaparecidos no Mediterrâneo, Marrocos e Espanha tentam conter êxodo recorde de 100 mil migrantes na fronteira de Ceuta
Forças de segurança marroquinas intensificaram operações na fronteira de Ceuta nesta segunda-feira (3), na tentativa de conter um fluxo migratório para a Espanha. De acordo com a Associação Marroquina de Direitos Humanos (AMDH), na última semana cerca de 100 mil pessoas se deslocaram para a fronteira dos dois países. Até o momento, o êxodo deixou 72 mortos e desaparecidos.
Marroquinos buscam o país europeu fugindo da crise econômica, em busca de oportunidades de trabalho. Segundo ONGs especializadas em imigração, o êxodo foi convocado por redes sociais. Agora, a movimentação estabeleceu uma crise humanitária e diplomática entre Marrocos e Espanha.
Espanha bloqueia fronteira
O avanço da multidão forçou o fechamento por tempo indeterminado da passagem de Tarajal, o principal ponto de contato terrestre entre o território marroquino e o enclave espanhol. Além disso, o governo da Espanha autorizou o envio de reforços das Forças Armadas para a região de fronteira, atuando em conjunto com a Guarda Civil Espanhola.
Marroquinos chegam a Ceuta, território espanhol no norte do continente africano (Vídeo: reprodução/YouTube/@The Economic Times)
A operação tenta conter a tática de travessias simultâneas em massa, que sobrecarregou os sistemas de vigilância eletrônica instalados na fronteira. Enquanto as forças espanholas usam barreiras físicas do lado de Ceuta, agentes de segurança de Marrocos realizam varreduras em estradas e colinas próximas para dispersar os grupos antes que alcancem as cercas. Ainda segundo ONGs, essas ações de contenção geraram confrontos e aumentaram o número de feridos na divisa dos dois países.
Busca por desaparecidos
A Guarda Civil Espanhola e o Ministério do Interior de Marrocos intensificaram, por meio de equipes de resgate, as buscas por dezenas de desaparecidos nas águas do Mediterrâneo. A maioria das vítimas desaparecidas é composta por adolescentes que tentaram contornar as barreiras de pedra que separam os dois territórios. Até o momento, não se sabe ao certo o número exato de pessoas sumidas.
Nesta segunda-feira (3), foram encontrados mais cinco corpos, o que elevou para 72 o número de mortos. A principal causa das mortes é o afogamento, provocado pela tentativa de travessia a nado. Muitos jovens se lançam ao mar sem equipamentos de proteção ou boias, enfrentando fortes correntezas e baixa visibilidade. Organizações de direitos humanos já alertaram que hospitais da região de fronteira estão sobrecarregados no atendimento aos resgatados, a maioria com hipotermia.
Uso da migração como pressão política
O Observatório do Norte de Direitos Humanos criticou o possível uso da migração irregular como moeda de troca política. A organização pediu que os cidadãos parem de ser tratados como instrumentos de pressão nas relações internacionais. Além disso, a entidade questionou a omissão de Rabat, sede do governo marroquino, e classificou como “surpreendentemente limitada” a presença das forças de segurança durante a maior parte do deslocamento da multidão.
Até o momento, o governo de Marrocos não se pronunciou sobre as acusações.
