Presidente iraniano envia carta ao povo norte-americano e diz não ser inimigo dos EUA

Documento também contesta narrativa do país sobre o conflito, defende reação legítima e cita histórico de intervenção americana no Irã

01 abr, 2026
Masoud Pezeshkian | Reprodução/X/@drpezeshkian
Masoud Pezeshkian | Reprodução/X/@drpezeshkian

Nesta quarta-feira (1), em carta divulgada pela imprensa iraniana dirigida ao povo norte-americano, o presidente Masoud Pezeshkian afirmou não ter nada contra a população dos Estados Unidos ou outros países. No documento, também apontou os interesses de Donald Trump no conflito, indicando que o presidente dos EUA estaria disposto a lutar “até o último soldado americano”.

Mensagem aos norte-americanos

Em todo conflito, é a primeira vez que uma mensagem é transmitida de forma direta aos estadunidenses, reiterando a posição iraniana de estar se defendendo de ataques e indicando o contexto histórico de intervenção americana na política do Irã. “O que o Irã fez — e continua a fazer — é uma resposta ponderada, baseada na legítima defesa, e de forma alguma uma iniciação de guerra ou agressão”, diz o texto.

Em um trecho, Pezeshkian distingue o país Estados Unidos da população estadunidense de forma enfática: “O povo iraniano não nutre qualquer inimizade contra outras nações, incluindo os povos da América, da Europa ou dos países vizinhos”, diz a carta.


Donald Trump (Foto: reprodução/Chip Somodevilla/Getty Images Embed)


Além disso, o presidente iraniano questionou a narrativa apresentada pelos Estados Unidos sobre o conflito, sugerindo que a versão difundida por Washington não refletiria integralmente os acontecimentos. Segundo ele, a condução americana distorce o papel do Irã no cenário atual, ao ignorar fatores históricos e ações externas que, na visão iraniana, contribuíram para a escalada das tensões.

Golpe de 1953

Em 19 de agosto de 1953, as agências de inteligência dos Estados Unidos e do Reino Unido (CIA e MI6, respectivamente) destituíram o então primeiro-ministro Mohammad Mosaddegh, eleito democraticamente no Irã. O evento ficou conhecido pela população iraniana como 28 Mordad.

O golpe, apoiado por governos do Ocidente, deixou uma ferida profunda na visão iraniana em relação ao governo americano. Após 60 anos do ocorrido, a CIA admitiu a interferência na política do Irã: “O golpe militar que derrubou Mosaddegh e seu gabinete da Frente Nacional foi realizado sob a direção da CIA como um ato de política externa dos EUA, concebido e aprovado nos mais altos escalões do governo”, diziam os documentos divulgados.

Conflito nos dias atuais

Recentemente, Donald Trump alegou que o novo presidente do regime iraniano teria solicitado um cessar-fogo. Afirmação que, segundo Trump, estaria sendo considerada. A declaração, no entanto, foi prontamente negada pelo Ministério das Relações Exteriores iraniano, evidenciando a divergência de narrativas entre as partes.

Diante desse cenário, o conflito segue com perspectivas de prolongamento. Trump reforçou que, enquanto não houver avanço nas negociações, os Estados Unidos continuarão com ações militares, afirmando em mensagem que pretendem “bombardear o Irã até a sua destruição”, o que intensifica ainda mais as tensões.

Mais notícias