Mendonça autoriza investigação da PF sobre suposto tráfico de influência de Lulinha na Dataprev

Ministro do STF sorteado como relator também abriu investigação anterior sobre filho de Lula no Ministério da Saúde

01 ago, 2026
Lulinha I Reprodução/Instagram/@thenews.cc
Lulinha I Reprodução/Instagram/@thenews.cc

André Mendonça, ministro do Supremo Tribunal Federal, autorizou na última sexta-feira (31) um inquérito da Polícia Federal contra Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, por possível atuação em favor de empresários em contratos envolvendo a Dataprev. A investigação deve apurar suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, tráfico de influência e organização criminosa.

A Dataprev é uma empresa pública que gerencia dados sociais do governo federal, com foco especial na administração do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), responsável pela concessão de benefícios previdenciários do país.

Segundo inquérito em poucos dias

A abertura representa a segunda investigação autorizada por Mendonça em curto período. Na quinta-feira (30), o ministro já havia permitido a deflagração de outro inquérito contra Lulinha, desta vez focado em sua atuação no Ministério da Saúde. Mendonça recebeu o sorteio para conduzir ambos os casos como relator.

No primeiro inquérito, a Polícia Federal suspeita que Lulinha e Antônio Camilo Antunes, chamado de Careca do INSS, tenham participado de negócios envolvendo cannabis medicinal. Um intermediário tentou viabilizar contrato de grande valor com o Ministério da Saúde nos anos 2024 e 2025 para comercializar canabidiol, mas o acordo não se concretizou.

Careca do INSS é identificado pela PF como um dos principais envolvidos em desvios de aposentadorias e pensões conforme apontam as investigações da Operação Sem Desconto.


 

Ver esta publicação no Instagram

 

Uma publicação partilhada por the news (@thenews.cc)

Lulinha (Foto: reprodução/Instagram/@the.news.cc)


Defesa nega envolvimento

Marco Aurélio de Carvalho, advogado de Lulinha, classificou a decisão como lamentável e sustentou que não existem fundamentos para a abertura da investigação. Segundo ele, a Polícia Federal continua com o objetivo de interferir no processo eleitoral. “A Polícia Federal segue empreendendo esforços na perspectiva de tentar interferir no processo eleitoral. É absolutamente lamentável.”

O defensor caracterizou a ação como fishing expedition, termo que descreve investigação sem base concreta. Ele argumentou ainda que: “Isso é fishing expedition, pesca probatória, e nos remete ao que houve de pior no nosso sistema de justiça.”

Segundo a defesa, a corporação não encontrou irregularidades no INSS e agora volta-se para outra instituição sem alicerce. Carvalho enfatizou que seu cliente permanece sem vinculação com a entidade. “É mais do mesmo, tentativa e erro. É a velha estratégia de criar um factóide. Isso é fishing expedition, pesca probatória.”

Carvalho também garantiu que Lulinha não mantém relação com Antônio Camilo e que a ida a Portugal não resultou em negócio de forma alguma. A viagem, conforme relato da defesa, ocorreu por iniciativa de Camilo para conhecer uma fábrica de medicamentos com canabidiol. “Lulinha já demonstrou que não tem relação direta ou indireta com o INSS e não tem relação com os negócios da Roberta. A PF não achou nada no INSS e vai procurar em outro lugar. Isso é pesca probatória.”

Rede investigada no caso

A investigação examina atuações de vários personagens. Lulinha é suspeito de ter intermediado a recepção de Careca no Ministério da Saúde. Roberta Luchsinger foi contratada por um lobista para prospectar negócios de cannabis medicinal e atuava em prol da empresa World Cannabis, que pertencia ao Careca.

No começo de 2025, Careca do INSS foi recebido no Ministério da Saúde por Swedenberger Barbosa, alcunhado Berger, que exercia a posição de secretário-executivo, segunda autoridade máxima da pasta. Berger deixou a instituição em 2025 e assumiu a chefia do Gabinete Adjunto de Gestão Interna do Gabinete Pessoal do presidente. A PF apura possível tráfico de influência em ambos os espaços.

Berger argumentou que o compromisso em agenda ocorreu conforme suas responsabilidades funcionais do período. “a agenda [com o Careca] ocorreu conforme as atribuições da sua função à época, sem que tenha havido qualquer tipo de ‘orientação’ para a sua realização”.

Com base em sua versão, Berger sustenta que a pasta não manifestou interesse na aquisição de produto ou serviço da empresa e que o encontro não gerou desdobramentos, o que indica, para ele, trâmite administrativo.

O Ministério da Saúde comunicou que não possui e nunca possuiu contratos com a World Cannabis ou com acionistas mencionados. Por esta razão, a pasta nunca fez transferência de recursos públicos para tais atores.

Mais notícias