Mendonça ouve PGR sobre mensagens de Vorcaro a Alexandre de Moraes
Em despacho ao procurador-geral, o ministro do STF estabeleceu prazo de cinco dias para esclarecimentos sobre relatório da Polícia Federal com conversas
André Mendonça, ministro do Supremo Tribunal Federal, enviou ofício à Procuradoria-Geral da República solicitando que se manifeste sobre um relatório da Polícia Federal contendo mensagens trocadas entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O despacho, dirigido ao procurador-geral Paulo Gonet, concedeu prazo de cinco dias para resposta. As mensagens mostram Vorcaro solicitando proteção de autoridades para evitar investigações contra a instituição financeira.
O documento foi produzido pela PF com base em mensagens recuperadas do celular de Vorcaro. Nele, o banqueiro busca interferência de Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF, e Paulo Gonet para postergar ações contra o Banco Master. Os textos foram enviados sete dias antes do primeiro arresto de Vorcaro, ocorrido em 17 de novembro.
O conteúdo das conversas
Em um dos diálogos, Vorcaro rogou pela postergação da operação que mirava o Banco Master. “Se o Andrei conseguir atrasar pra outra semana, pois tem feriado, o banco não quebra. Tenta chamar ele e sensibilizar isso se achar possível”, escreveu ao interlocutor.
“Se o Andrei conseguir atrasar pra outra semana, pois tem feriado, o banco não quebra. Tenta chamar ele e sensibilizar isso se achar possível”
Um dia antes, Vorcaro enviou mensagem de desabafo a Moraes expressando frustração com a situação. “Não conseguimos reverter isso com Paulo ou Andrei? Muita sacanagem isso”, lamentou.
“Não conseguimos reverter isso com Paulo ou Andrei? Muita sacanagem isso”
Originalmente, o destinatário das mensagens permanecia sem identificação. Mendonça solicitou que a Polícia Federal apurasse para quem Vorcaro havia escrito. A conclusão da PF apontou Alexandre de Moraes como o interlocutor.
Contexto da prisão e comunicações
No dia 17 de novembro, às 22 horas, Vorcaro foi detido no aeroporto de Guarulhos durante tentativa de embarque em jato particular rumo a Dubai, com parada prevista em Malta. Naquela mesma manhã, havia trocado mensagens com Moraes via WhatsApp. “Fiz uma correria aqui para tentar salvar. Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?”, questionou.
“Fiz uma correria aqui para tentar salvar. Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?”
Moraes retornou com três mensagens que se autodestruíam após leitura. Segundo investigadores, há registros de ligações entre ambos, documentados no material coletado e analisado pela Polícia Federal. Consultado sobre as mensagens, Moraes refutou sua existência.
Ministro Alexandre de Moraes (Foto: reprodução/Getty Images Embed/NurPhoto)
A relação entre Vorcaro, Moraes e autoridades federais aparece também em outro episódio. Em abril de 2024, Paulo Gonet e Andrei Rodrigues compareceram a uma degustação de uísque promovida por Vorcaro em Londres durante evento jurídico patrocinado pelo Banco Master. A operação contra o banco vazar para Vorcaro, com Moraes dialogando ativamente sobre o tema nas mensagens. Não há registros públicos dos passos que Moraes adotou em relação ao caso.
Conforme publicado pelo O Globo, existe contrato entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci, esposa de Moraes. O acordo estabelecia R$ 3,6 milhões mensais em honorários pela defesa dos interesses da instituição em Brasília, com total de R$ 129 milhões. Antes da prisão de Vorcaro ocorrida em janeiro de 2024, foram repassados R$ 80 milhões.
