Milei vincula queda da natalidade ao feminismo e diz que aborto custa caro à previdência

Em fala a empresários, Milei atacou a legalização do aborto, associou o movimento feminista à queda de natalidade e alertou sobre riscos econômicos no país

21 ago, 2026
Javier Milei, presidente da Argentina | Foto: reprodução/X/@lopezdoriga
Javier Milei, presidente da Argentina | Foto: reprodução/X/@lopezdoriga
Milei culpa movimento feminista por baixa nataliade

O presidente da Argentina, Javier Milei, declarou nesta quinta-feira (20) que o movimento feminista e a legalização do aborto são responsáveis, segundo ele, pela queda da natalidade no país. Ele classificou a situação como uma “loucura”, com impactos negativos na economia e na previdência social. Durante seu discurso, Milei associou a redução no número de nascimentos diretamente à campanha pelo aborto legal, simbolizada pelos lenços verdes.

Em pronunciamento a empresários em Buenos Aires, Milei afirmou que a Argentina “não alcança uma taxa de crescimento populacional e de natalidade que permita a reposição da população”. E completou: “Portanto, essa paixão por matar crianças no ventre da mãe também está nos custando caro em termos de crescimento, e nem vou falar do impacto sobre o sistema previdenciário”.

Campanha dos Lenços Verdes

A legalização do aborto na Argentina aconteceu em dezembro de 2020, quando o Congresso aprovou a interrupção voluntária da gravidez até a 14ª semana de gestação. A lei foi impulsionada pela Campanha Nacional pelo Direito ao Aborto Legal, Seguro e Gratuito, movimento social que adotou o lenço verde como identificação. O acessório, inspirado nos lenços brancos das Mães da Praça de Maio, tornou-se o símbolo das manifestações de milhares de mulheres.


Milei culpa movimento feminista pela baixa natalidade no país (Vídeo: reprodução/X/@somoscorta)


O projeto passou com 131 votos a favor, 117 contra e 6 abstenções, após sessão que durou 20 horas. A proposta também foi votada no Senado, onde o texto recebeu 38 votos a favor e 29 contra, sendo posteriormente convertido na Lei nº 27.610, que garante a interrupção da gravidez no país.

Posicionamento de Milei sobre o tema

Ideologicamente, Javier Milei se define como um “anarcocapitalista” e atua como um político de direita conservadora. Sobre o tema, o presidente argentino afirma que defende “o direito à vida como o princípio mais básico da liberdade individual”. Para o presidente, esse direito começa no momento da concepção, o que o leva a classificar a interrupção voluntária da gravidez como, segundo ele, um homicídio agravado pelo vínculo familiar e um ataque direto à existência humana.

Essa visão alinha Milei às alas mais neoconservadoras do Ocidente. Sob sua ótica, ele enxerga as agendas de direitos reprodutivos e o feminismo não como pautas de liberdade individual, mas como parte de uma engrenagem do “marxismo cultural” e do que classifica como “socialismo global”.

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