Milei amplia vigilância em massa na Argentina e gera alerta

Anistia Internacional denuncia Milei por gastos do Executivo com drones e reconhecimento facial em meio a centenas de protestos no país

24 ago, 2026
Javier Milei | reprodução/X/@ Inevitablewest
Javier Milei | reprodução/X/@ Inevitablewest

Javier Milei, presidente da Argentina, ampliou as capacidades de vigilância em massa no país nos dois primeiros anos de mandato. A ação foi responsável por gerar um ambiente de cerceamento da privacidade, além da inibição da liberdade de expressão e do direito à manifestação pacífica.

É o que aponta um levantamento divulgado pela Anistia Internacional (ONG que reúne mais de 7 milhões de pessoas em mais de 150 países em defesa dos direitos humanos), segundo o qual o Executivo argentino fortaleceu as táticas de espionagem e a coleta de dados por meio de modificações institucionais.

Investimentos em espionagem e tecnologia no governo Milei

Entre 2024 e 2025, o governo de Milei destinou cerca de 1,2 milhão para a aquisição de ferramentas tecnológicas avançadas, como sistemas de reconhecimento facial, monitoramento de redes sociais e recursos de vigilância aérea. Esses instrumentos foram desenvolvidos para o processamento de grandes quantidades de dados.


Javier Milei (foto: reprodução/X/@LilliunAzules)


Com o título de “Estado de Vigilância: A Expansão do Uso de Tecnologias de Vigilância em Massa pelo Governo da Argentina”, o relatório aponta que essas aquisições incluem 69 drones e 11 estações de controle terrestre equipadas com recursos de alta tecnologia capazes de rastreamento automático.

Repressão a manifestações populares

Só no ano de 2025 ocorreram cerca de 300 protestos em todo o país, em meio a um cenário de insatisfação provocado, principalmente, pelos cortes nos gastos públicos, pelo endividamento e pelas reformas trabalhistas.

Segundo Paola Garcia Rey, diretora-adjunta da ONG Anistia Internacional, o uso generalizado desses recursos estabelece um tipo de controle governamental direcionado a desestimular manifestações e calar vozes discordantes. Ela afirma: “Quando as autoridades buscam se esquivar do escrutínio público, aqueles que questionam ou exigem respostas podem se tornar alvos de diversas formas de vigilância, controle e repressão, aprofundando as práticas autoritárias”.


Javier Milei (foto: reprodução/X/@_EncuestAR_)


No relatório, a Anistia utiliza o termo “tecnoautoritarismo” para traduzir o controle político exercido por meio de ferramentas digitais. A organização humanitária recomendou que o governo de Milei suspenda imediatamente o uso de ferramentas de biometria remota para vigilância em massa.

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