Milei amplia vigilância em massa na Argentina e gera alerta
Anistia Internacional denuncia Milei por gastos do Executivo com drones e reconhecimento facial em meio a centenas de protestos no país
Javier Milei, presidente da Argentina, ampliou as capacidades de vigilância em massa no país nos dois primeiros anos de mandato. A ação foi responsável por gerar um ambiente de cerceamento da privacidade, além da inibição da liberdade de expressão e do direito à manifestação pacífica.
É o que aponta um levantamento divulgado pela Anistia Internacional (ONG que reúne mais de 7 milhões de pessoas em mais de 150 países em defesa dos direitos humanos), segundo o qual o Executivo argentino fortaleceu as táticas de espionagem e a coleta de dados por meio de modificações institucionais.
Investimentos em espionagem e tecnologia no governo Milei
Entre 2024 e 2025, o governo de Milei destinou cerca de 1,2 milhão para a aquisição de ferramentas tecnológicas avançadas, como sistemas de reconhecimento facial, monitoramento de redes sociais e recursos de vigilância aérea. Esses instrumentos foram desenvolvidos para o processamento de grandes quantidades de dados.
🇦🇷 Milei proíbe toda a imprensa de entrar na Casa Rosada, por razões de “segurança nacional”, após acusações de “espionagem ilegal”. A imprensa acusa Milei de promover a paranoia, censura e de “clima hostil” contra os profissionais da comunicação.
Milei vem sendo um Ditador 🇦🇷 pic.twitter.com/WZJ8hvTf3m— 🪶Porã ( Humanista) 🏹🌳 🐆 (@LilliunAzules) April 25, 2026
Javier Milei (foto: reprodução/X/@LilliunAzules)
Com o título de “Estado de Vigilância: A Expansão do Uso de Tecnologias de Vigilância em Massa pelo Governo da Argentina”, o relatório aponta que essas aquisições incluem 69 drones e 11 estações de controle terrestre equipadas com recursos de alta tecnologia capazes de rastreamento automático.
Repressão a manifestações populares
Só no ano de 2025 ocorreram cerca de 300 protestos em todo o país, em meio a um cenário de insatisfação provocado, principalmente, pelos cortes nos gastos públicos, pelo endividamento e pelas reformas trabalhistas.
Segundo Paola Garcia Rey, diretora-adjunta da ONG Anistia Internacional, o uso generalizado desses recursos estabelece um tipo de controle governamental direcionado a desestimular manifestações e calar vozes discordantes. Ela afirma: “Quando as autoridades buscam se esquivar do escrutínio público, aqueles que questionam ou exigem respostas podem se tornar alvos de diversas formas de vigilância, controle e repressão, aprofundando as práticas autoritárias”.
¿Javier Milei tendría tu apoyo en la elección del 2027? pic.twitter.com/K7BzfL03i5
— Encuestas Argentinas (@_EncuestAR_) August 22, 2026
Javier Milei (foto: reprodução/X/@_EncuestAR_)
No relatório, a Anistia utiliza o termo “tecnoautoritarismo” para traduzir o controle político exercido por meio de ferramentas digitais. A organização humanitária recomendou que o governo de Milei suspenda imediatamente o uso de ferramentas de biometria remota para vigilância em massa.
