Milei critica ONU em discurso na Assembleia-Geral e defende nova postura da Argentina
Presidente Argentino questionou atuação da ONU, defendeu a soberania sobre as Malvinas e reafirmou alinhamento do país com Estados Unidos e Israel
O presidente Javier Milei, da Argentina, discursou hoje, quarta-feira, dia 23, na Assembleia Geral da ONU. Seu discurso estava recheado de críticas negativas à organização, como sua suposta inutilidade e hipocrisia.
Javier Milei começa apontando o principal objetivo da ONU, mas destaca que, aparentemente, esse suposto objetivo não foi cumprido: “Há setenta e oito anos, esta Casa declarou que todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos — palavras nobres cujo espírito compartilho plenamente. […] Esse foi o propósito original, o pacto que todos nós assinamos. Mas hoje, lamentavelmente, é preciso reconhecer que, na prática, esse pacto sagrado foi rompido“.
Milei questiona atuação da ONU e volta a defender soberania sobre as Malvinas
De acordo com o presidente, a organização se tornou inútil, tendo como “único propósito é sustentar um grupo de parasitas de uma arrogância fatal, que se fingem de burocratas bem-intencionados”. Após citar o economista Mises, ainda destaca que a ONU falhou com sua missão e “em vez disso, permitiram que o caos, a violência e o terrorismo internacional prosperassem“. Citando como a ONU supostamente deu palco à “ditaduras sanguinárias e regimes que apedrejam mulheres” e permanecendo em silêncio diante do “genocídio de cristãos na África”, enquanto, de acordo com Milei, votavam injustamente a favor de resoluções contra Israel e ignorou a situação de territórios como as Malvinas, Ilhas Geórgia do Sul e das Ilhas Sandwich do Sul, fazendo referência ao papel da ONU em relação à defesa da soberania nacional.
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Presidente da Argentina, Javier Milei, discursando na Assembleia Geral da ONU (Foto: reprodução/Instagram/@javiermilei)
Sobre as Ilhas Malvinas, Milei voltou a abordar a disputa como uma “causa nacional”. Criticando a atuação da ONU diante da exploração de petróleo na região, mencionou o projeto Sea Lion, desenvolvido sob licenças britânicas que o governo argentino considera ilegais. Segundo o presidente: “[…] apresentamos notas formais de protesto. Recorremos aos meios legais à nossa disposição. Impusemos sanções às empresas envolvidas e aos seus fornecedores. E enviamos ao Congresso um projeto de lei de defesa da soberania nacional“.
Presidente argentino reafirma alinhamento com EUA e Israel e critica atuação internacional durante a pandemia
Milei também criticou o que chamou de “controle e imposições de cunho orwelliano sobre democracias liberais que respeitam as regras”. Para o presidente, há uma influência excessiva por parte da ONU sobre políticas interna de outros países, citando como exemplo a “Agenda 2030”, questões ambientais, imigração e regulação econômica. Também classificou a pandemia da Covid-19 como “um experimento global de controle social disfarçado de ciência”, afirmando ter sido um dos motivos da Argentina ter deixado a Organização Mundial da Saúde (OMS).
O presidente também reafirmou que inequivocamente alinha-se “ao Ocidente, aos Estados Unidos e a Israel — países com os quais compartilhamos uma profunda afinidade de valores e complementaridade estratégica“, além de condenar os ataques iranianos contra a Israel e classificar a Guarda Revolucionária Iraniana como terrorista, relembrando os ataques ocorridos em solo argentino nos anos de 1992 e 1994.
No campo econômico, defendeu o capitalismo de livre iniciativa, a abertura ao comércio e aos investimentos e o desenvolvimento recursos estratégicos, além da reconstrução das capacidade militares argentinas.
