Jovens intensificam ações para ampliar apoio a Lula e Flávio Bolsonaro no segundo turno
Estudantes organizam banquinhas, debates em escolas e campanhas digitais. Eleitorado de 16 a 24 anos recuou 2 milhões desde 2022
O resultado apertado do primeiro turno entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acionou uma mobilização intensiva de seus apoiadores jovens para conquistar novos votos e frear a abstenção na etapa decisiva. Estratégias combinam presença física em faculdades, ônibus e metrôs com campanhas em redes sociais, enquanto dados do TSE indicam recuo do eleitorado de 16 a 24 anos.
Isadora de Oliveira, 24 anos, apoiadora de Lula, ajudou a organizar um ato em Brasília (DF) no dia 13 de outubro que reuniu cerca de 60 mil pessoas. Ela defende a ocupação de espaços públicos como estratégia para convencer eleitores.
“A gente quer ocupar faculdades, ônibus, metrô e conversar com as pessoas para mostrar que o futuro que a gente precisa não cabe no projeto da extrema-direita nem no de Flávio Bolsonaro, mas que será construído por nós, a partir da luta dos estudantes”
No campo oposto, João Pedro Porto, 18 anos, coordena grupo universitário de apoio a Flávio Bolsonaro. Desde o fim do primeiro turno, organiza adesivaços e mobilizações em frente à faculdade onde estuda.
“Quando o estudante vê outras pessoas que pensam como ele, percebe que não está sozinho e se sente mais confortável para expressar suas ideias”, afirmou João Pedro Porto.
Táticas presenciais e digitais integradas
Os jovens mobilizadores combinam abordagens. Alexandra Carvalho, 22 anos, apoiadora de Flávio Bolsonaro, criou canal de mensagens para divulgar materiais de campanha e organiza reuniões e protestos nas faculdades. Para ela, o ativismo não cabe apenas nas telas.
“A nossa força não pode ficar apenas nas telas. Precisamos levar essa mobilização para as faculdades, para as ruas e para os espaços de debate, porque a direita não quer apenas ocupar as redes sociais”
Daniella Dutra aposta em estratégia dupla, reforçando o trabalho nas ruas com intensidade nas plataformas digitais. Ela ampliou o volume de postagens e passa a dialogar com eleitores de outros estados.
“É importante ir para a rua, mas também fazer a mobilização nas redes sociais. Eu aumentei o nível de postagem e de relação com pessoas de outros estados. A gente tem que também saber falar com as pessoas de fora”, afirmou Daniella Dutra.
Bruna Lima, 20 anos, trabalha em banquinhas vira-voto em paradas de ônibus e universidades. Ela aborda eleitores diretamente para entender decisões de voto ou ausências nas urnas e apresenta argumentos de campanha.
“A gente está indo sempre para olhar olho no olho do trabalhador e falar: por que você votou no Flávio Bolsonaro? Ou então por que você não saiu de casa para votar? E dar argumentos, debater, trazer fatos, trazer a história para que a gente consiga, de fato, fazer essa virada”, disse Bruna Lima.
Campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro no segundo turno (Vídeo: reprodução/YouTube/Itatiaia)
Debates em escolas e mudança de postura
Maria Clara Lobão, 16 anos, iniciou debates na escola com objetivo de mobilizar colegas. Ela observa deslocamentos de posicionamento entre amigos que antes repetiam opiniões dos pais.
“Com os debates entre os jovens do meu ciclo, vejo mais gente mudando de postura. Amigos que na eleição passada se posicionavam de um jeito, muitas vezes apenas reproduzindo a opinião dos pais, hoje pensam diferente, estão mais velhos e pesquisam por conta própria”, contou Maria Clara Lobão.
Segundo Marcela Machado, cientista política da Universidade de Brasília, o segundo turno engaja mais o público jovem que a primeira fase. Na etapa final, o eleitor sente necessidade de se posicionar. A juventude funciona como filtro e atalho cognitivo dentro de seus círculos: quando produzem conteúdo e debatem política, levam mensagem a quem não acompanha o horário eleitoral.
Dados do TSE mostram que 14,9 milhões de eleitores de 16 a 24 anos votaram no primeiro turno de 2026. Comparado com 2022, houve redução de aproximadamente 2 milhões de jovens aptos a votar.
