Morre John Grover, editor da franquia “007”, aos 87 anos

Editor de grandes produções de Hollywood e do cinema britânico, John Grover deixa legado marcado por filmes de sucesso como 007 e uma odisseia no espaço

01 out, 2026
John Grover, editor, morre aos 87 | Reprodução/Instagram/@britishfilmeditors
John Grover, editor, morre aos 87 | Reprodução/Instagram/@britishfilmeditors

Nesta segunda-feira (28), a British Film Editors anunciou a morte do editor John Grover, responsável pela edição de diversos filmes da franquia “James Bond”. Ele faleceu aos 87 anos, em sua residência familiar em Buckinghamshire, Inglaterra, a causa da morte não foi divulgada.

O editor cultivou uma carreira longeva em Hollywood e no cinema britânico, tendo sido creditado em diversos filmes que se tornaram sucessos de bilheteria. Entre os títulos mais famosos estão “2001: Uma Odisseia no Espaço”, de Stanley Kubrick, “Doutor Jivago”, de David Lean, e “Labirinto – A Magia do Tempo”, de Jim Henson.

Já na televisão, Grover participou da montagem de episódios de algumas séries britânicas, estas sendo “CI5: The New Professionals”, “Monsenhor Renard” e “Fat Friends”, eventualmente se aventurando pela televisão americana em uma versão de “Frankenstein” em 1992.

Infância e início de carreira 

John Grover nasceu no dia 24 de outubro de 1938 no distrito londrino de Barnet, na Inglaterra, e quando adentrou a adolescência decidiu se alistar voluntariamente para o exército britânico. Ao retornar, ele começou a trabalhar como ‘numbering boy’ (rapaz de numeração) na MGM Films, onde seu tio trabalhava na época, o cargo era conhecido antigamente como um cargo inicial dentro da indústria cinematográfica na área de montagem e edição. 

Os primeiros filmes dos quais Grover foi creditado oficialmente, ainda como editor assistente, foram: “Permissão para Matar” (1975) de Cyril Frankel, “O Pássaro Azul” (1976) de George Cukor e “007 – O Espião que me Amava” de Lewis Gilbert. Porém, já atuava como editor não creditado há anos, chegando a participar de grandes filmes como “Doutor Jivago” (1965), que foi indicado a 10 categorias do Oscar em 1966 e levou 5 estatuetas ao final da premiação.


Post anunciando a morte do editor (Foto: reprodução/Instagram/@britishfilmeditors)


Franquia 007

Um dos pilares mais consistentes de sua carreira foi a franquia de filmes de James Bond, produto da EON Productions, a franquia conta atualmente com mais de 20 filmes e diversos diretores que contribuíram para trazer esta trama à vida. Inicialmente, Grover colaborou para as produções de “007 – O Espião Que Me Amava” (1977), “007 contra o Foguete da Morte” (1979) e “007 contra Octopussy” (1983). 

Em uma entrevista ao site MI6 Headquarters, portal não-oficial de James Bond, Grover recordou-se da fórmula que os produtores da franquia utilizavam para manter seu sucesso duradouro. “Palavrões eram inaceitáveis, mas um pouco de violência e trocadilhos sexuais eram okay”, ele disse, “Seu lema era sempre entretenimento familiar. Avôs e avós poderiam levar seus netos para assistir os filmes e se divertirem juntos”.

Na mesma conversa, o editor comentou que dentre os atores de James Bond, Roger Moore era seu favorito, ele foi o terceiro ator escalado para o papel dentro da franquia e entre 1973 e 1985 protagonizou sete filmes como o agente secreto. 

Ao lembrar da rotina de edição dos filmes de 007, o editor compartilhou a importância de sua família para o sucesso de sua carreira: “Pelo amor de deus, começávamos a trabalhar naqueles filmes, e por nove meses, eu praticamente nunca ia para casa. Então era importante ter uma boa família dando apoio.”

Ao falecer, John Grover deixa a esposa Jenny, com quem foi casado por 62 anos, o filho Tim, a filha Camilla, além de netos e bisnetos.

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