Fundador da CNN, Ted Turner, morre aos 87 anos

Empresário revolucionou o jornalismo nos Estados Unidos ao fundar o modelo de notícias 24 horas em 1980; causa da morte não foi divulgada

06 maio, 2026
Ted Turner | Reprodução/ Instagram/@letterboxd
Ted Turner | Reprodução/ Instagram/@letterboxd

Morreu nesta quarta-feira (6) o empresário norte-americano Ted Turner, fundador da rede de TV CNN, sendo considerado um dos maiores nomes da mídia nos Estados Unidos e o pioneiro das notícias 24 horas. A informação veio da própria emissora, porém não foi divulgada oficialmente a causa da morte. Apesar disso, o empresário revelou em 2018 que vinha enfrentando demência com Corpos de Lewy, doença neurodegenerativa.

Trajetória multifacetada

Nascido em 1938 em Ohio, nos Estados Unidos, Turner construiu sua fortuna assumindo os negócios de outdoors herdados do pai e acabou reinvestindo parte do dinheiro ao comprar uma emissora de televisão na década de 1970. Ele foi responsável por revolucionar o jornalismo nos Estados Unidos ao fundar, em 1980, a CNN, a primeira emissora do mundo dedicada à cobertura contínua de notícias, 24 horas por dia. Além da CNN, Turner expandiu sua atuação criando canais especializados em esportes e filmes clássicos, adquirindo estúdios como a Metro-Goldwyn-Mayer e promovendo, em 1996, a fusão da Turner Broadcasting System com a Time Warner. Apesar do sucesso, enfrentou dificuldades em se adaptar ao ambiente corporativo após anos de autonomia, o que resultou na perda do controle de suas redes.


 

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Homenagem da CNN à Ted Turner (Foto: reprodução/Instagram/@cnn)


Paralelamente à carreira empresarial, Turner destacou-se como um dos principais ativistas ambientais e filantropos do mundo, sendo também um dos maiores proprietários de terras dos Estados Unidos. Seu compromisso com causas globais ficou evidente ao doar US$1 bilhão para a Organização das Nações Unidas. 

Em sua vida pessoal, teve cinco filhos e foi casado três vezes, com destaque para o relacionamento de 10 anos com a atriz vencedora do Oscar Jane Fonda. Turner também teve grande envolvimento com o esporte quando foi proprietário de equipes como o Atlanta Braves e o Atlanta Hawks, da NBA, além de vencer a America’s Cup. Em 1986, criou os Jogos da Boa Vontade, inspirados nas Olimpíadas, e, dois anos depois, adquiriu uma organização de luta livre para ampliar a produção de conteúdo televisivo. Motivado por preocupações com a guerra nuclear, co-fundou, em 2001, a Nuclear Threat Initiative. Segundo a Forbes, sua fortuna é estimada em cerca de US$2,8 bilhões.

Dos obstáculos ao pioneirismo da televisão

Na cidade de Cincinnati, ele passou parte da juventude no sul dos Estados Unidos, onde frequentou escolas militares e se destacou em atividades como debates e iatismo. Ainda jovem, contrariou as expectativas do pai ao ingressar na Universidade Brown para estudar literatura clássica, em vez de administração. No entanto, acabou expulso após infrações disciplinares e não concluiu o curso.

Sem formação universitária, Turner retornou ao negócio da família em Savannah, trabalhando com venda de espaços publicitários em outdoors. Aos 24 anos, assumiu a empresa após o suicídio do pai. Apesar de inicialmente vender o negócio para quitar dívidas, conseguiu recomprá-lo após uma disputa familiar e transformá-lo em um empreendimento lucrativo. Em 1970, tomou uma decisão arriscada ao adquirir uma emissora de televisão UHF em dificuldades em Atlanta, posteriormente conhecida como WTBS. Após um começo desafiador, ele conseguiu torná-la rentável com uma programação contínua e de baixo custo.

O grande salto veio em 1976, quando mudanças regulatórias permitiram o uso de satélites por sistemas de TV a cabo. Turner aproveitou essa oportunidade e se tornou pioneiro nessa tecnologia, transformando a WTBS na primeira “superestação”, com alcance nacional. Esse espírito inovador culminou, em 1980, na criação da CNN, também em Atlanta, com a proposta de oferecer uma alternativa à cobertura que considerava sensacionalista nas grandes redes. Mesmo enfrentando descrédito inicial, a emissora prosperou e estabeleceu um novo padrão global para a cobertura de eventos como guerras, julgamentos e desastres.


Ted Turner no lançamento da CNN, em 1980 (Foto: reprodução/Rick Diamond/Getty Images Embed)


Reconhecido por seu impacto, Turner foi eleito “Homem do Ano” pela Time em 1991. Em 1996, sua empresa, a Turner Broadcasting System, foi adquirida pela Time Warner por US$7,5 bilhões, formando um dos maiores grupos de comunicação do mundo, com marcas como HBO, Warner Bros. e Cartoon Network. Posteriormente, em 2001, a Time Warner se fundiu com a AOL em um megacontrato de US$99 bilhões. Apesar de apoiar a operação, Turner acabou perdendo influência na nova estrutura corporativa, sendo afastado da gestão das redes que criou e sofrendo perdas financeiras significativas com a desvalorização das ações. Em 2003, deixou definitivamente o cargo de vice-presidente da empresa.

Apesar de seu afastamento da grande rede de comunicação e do mercado de trabalho, tornou-se um dos nomes mais poderosos da indústria, destacando-se pela inovação e a inteligência de transformar o jornalismo como um todo, não só nos Estados Unidos.

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