Turquia revela vestígios de embarcação comercial da Idade do Bronze
Ânforas e âncoras encontradas no Mediterrâneo ajudam arqueólogos a investigar uma embarcação ligada às antigas rotas comerciais da Idade do Bronze
Um possível naufrágio de quase cinco mil anos foi encontrado nas proximidades da ilha de Kekova, na costa sul da Turquia. A embarcação teria afundado há cerca de 4.400 a 4.700 anos, no início da Idade do Bronze, segundo estimativas dos arqueólogos. No local, mergulhadores encontraram mais de 30 ânforas de cerâmica e três grandes âncoras de pedra, a cerca de 30 metros de profundidade.
Ânforas ajudam a identificar a idade do naufrágio
A estrutura de madeira da embarcação não resistiu ao tempo, mas os recipientes de cerâmica encontrados no fundo do mar ajudaram os pesquisadores a estimar quando o navio afundou. Os arqueólogos compararam o formato e os detalhes das peças com vasos semelhantes encontrados no Egito e no Oriente Médio, datados do mesmo período.
As ânforas tinham duas alças laterais, uma saliência na parte central e uma base plana. Como não havia madeira preservada para análise, a equipe utilizou as características da cerâmica para situar o naufrágio no início da Idade do Bronze.
Vídeo explicando sobre a costa da Kekova e a descoberta da embarcação (Vídeo: reprodução/YouTube/@AlexUAE)
Parte dos recipientes ainda apresenta resíduos de seu conteúdo original. Esse detalhe pode contribuir para futuras análises sobre as mercadorias transportadas e os hábitos comerciais das sociedades da época. O conjunto encontrado também permite investigar como esses navegadores organizavam suas viagens e quais recursos utilizavam durante os deslocamentos pelo mar.
Descoberta pode revelar detalhes do comércio marítimo
Os objetos encontrados no fundo do mar podem ajudar os pesquisadores a entender como as comunidades antigas transportavam mercadorias e mantinham contato com outras regiões. A descoberta também amplia o conhecimento sobre a navegação no início da Idade do Bronze, quando as rotas marítimas eram importantes para as trocas comerciais.
Vestígios ajudam a reconstruir o percurso do navio
A análise dos recipientes também pode contribuir para esclarecer as relações comerciais estabelecidas entre diferentes povos na Antiguidade. De acordo com as informações divulgadas pelos pesquisadores, as ânforas podem ter sido produzidas no Vale do Jordão, região que teria ligação com o transporte de mercadorias pelo Mediterrâneo.
Entre os produtos que possivelmente eram acondicionados nesses recipientes estão o azeite de oliva e o vinho. A identificação definitiva do conteúdo, porém, depende de análises dos resíduos preservados nas peças. Por isso, a presença desses produtos deve ser tratada como uma possibilidade, e não como uma conclusão confirmada.
O transporte marítimo desempenhava um papel importante na circulação de mercadorias entre comunidades antigas. Nesse contexto, a embarcação representa uma oportunidade de investigar os materiais utilizados no comércio, a procedência dos produtos e as conexões entre diferentes regiões. Os vestígios encontrados podem ajudar a reconstruir parte dessas atividades, embora não permitam, isoladamente, determinar todo o percurso realizado pelo navio.
Descoberta pode ampliar conhecimento sobre a navegação antiga
O achado na costa turca também chama a atenção pela possibilidade de recuar ainda mais os registros conhecidos da navegação comercial. Atualmente, o naufrágio localizado nas proximidades da ilha grega de Dokos é considerado um dos mais antigos já identificados, com idade estimada em cerca de 4.200 anos.
Se a cronologia atribuída à embarcação de Kekova for confirmada, o novo achado poderá anteceder esse registro em vários séculos. A comparação, contudo, depende da análise das evidências arqueológicas e da confirmação das estimativas de idade.
Além de sua possível antiguidade, o conjunto de objetos encontrados oferece elementos para novas investigações sobre a circulação de mercadorias pelo Mediterrâneo durante o início da Idade do Bronze. O estudo dos recipientes, de seus resíduos e de suas características poderá contribuir para compreender melhor as atividades comerciais e os contatos entre sociedades antigas.
Esses dados poderão orientar novas pesquisas arqueológicas.
