Navio de guerra dos EUA fica sem energia por quatro dias
Destróier com marinheiros em alto-mar teve problema nos geradores durante operação no Pacífico; condições dos tripulantes a bordo são questionadas
A Marinha norte-americana informou na última terça-feira (18) que um navio de guerra dos Estados Unidos com cerca de 300 militares a bordo ficou quatro dias sem energia no Mar do Sul da China, localizado na região do Indo-Pacífico, no mês passado, após uma falha grave nos geradores.
A tripulação ficou sem água potável, refeições, banheiros funcionando e ar-condicionado por ao menos quatro dias, situação que agravou as acusações sobre as condições de trabalho e o desgaste dos tripulantes.
USS Benfold apresenta falhas de energia
Conforme o segundo o porta-voz da Marinha, comandante Matthew Comer, o USS Benfold apresentou uma “falha de engenharia envolvendo os geradores”, gerando uma perda de energia em 24 de julho, mas foi apenas na última sexta-feira (14) que o caso veio a público, após reportagem do site USNI News. Ninguém ficou ferido durante o acidente, garantiu a Marinha. Segundo Comer, a tripulação demonstrou “resiliência, determinação, profissionalismo e firmeza”, disse o comandante.
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USS Benfold (Foto: reprodução/Instagram/@osintdefender)
Já o destróier precisou de ajuda de navios do grupo de ataque do porta-aviões USS George Washington. Ele precisou ser rebocado até a Baía de Subic, nas Filipinas, para passar por reparos e chegou ao local apenas em 28 de julho. Além disso, o cruzador USS Robert Smalls forneceu refeições e hospedagem à tripulação do Benfold.
Investigações das condições dos tripulantes a bordo
Segundo a Marinha, em 8 de agosto, o Benfold deixou o porto “com todos os sistemas de engenharia, combate e suporte à tripulação funcionando normalmente”. O episódio ocorreu ao mesmo tempo em que o Pentágono enfrenta cobranças sobre as condições de vida a bordo dos navios e a capacidade das Forças Armadas de abastecer as embarcações durante o conflito com o Irã.
Além disso, parlamentares democratas também pedem investigações sobre as condições a bordo do porta-aviões USS Abraham Lincoln. De acordo com relatos, o navio passou um recorde de 250 dias seguidos no mar e enfrentou falta de itens como alimentos e produtos de higiene, com adição de estresse e problemas de saúde mental nas declarações dos tripulantes.

Tripulantes do USS Benfold (Foto: reprodução/Instagram/@uspacificfleet)
O USS George Washington deve substituir o USS Abraham Lincoln, já que navios do grupo de ataque e o próprio porta-aviões foram vistos seguindo em direção ao Oriente Médio. O impacto da mudança é deixar o Pacífico sem a presença de um porta-aviões americano por um período ainda desconhecido. A Marinha dos EUA disse que a substituição já era programada. “O período de serviço do Lincoln foi estendido porque a missão assim o exigia. Desdobramentos são difíceis. Operações de combate os tornam ainda mais difíceis. A guerra é um inferno e as rotinas normais são interrompidas”, disse o comunicado assinado pelo secretário interino da Marinha, Hung Cao.
Essa é a segunda falha de energia envolvendo um contratorpedeiro da Marinha dos EUA na área do Comando do Pacífico. Um dos erros aconteceu em maio, onde o USS Higgins também perdeu energia por várias horas no Indo-Pacífico por conta de uma “avaria de engenharia” no sistema elétrico, segundo a Marinha.
No fim de semana, o chefe do Comando Central dos Estados Unidos, almirante Brad Cooper, defendeu nas redes sociais que “o Lincoln atualmente tem um dos menores números de casos relacionados à saúde mental” entre os 11 porta-aviões ativos da Marinha.“Isso não significa que tudo seja perfeito”. Ele afirmou que um longo período de serviço no mar vai apresentar consequências: “é excepcionalmente desafiador e difícil, e cada um de nós, inclusive eu, reage ao estresse de maneiras diferentes”.
Na sexta-feira (14), o presidente Donald Trump também fez declarações sobre a situação, minimizando as preocupações sobre as condições precárias relatadas a bordo do navio. Questionado se estava preocupado com a saúde mental da tripulação e sobre a duração da missão, o presidente disse: “ Não, [às famílias dos marinheiros] não estão preocupadas (disse o presidente ao responder a uma jornalista que perguntava sobre familiares da tripulação). (O Lincoln) está se deslocando, ou se deslocará muito em breve, e será substituído por um navio muito semelhante. (Mas a viagem) está longe de ter sido longa demais”, defendeu Trump.
Os destróieres da classe Arleigh Burke, como o USS Benfold e o USS Higgins, são os principais da frota de superfície da Marinha dos EUA, com mais de 70 navios atualmente em serviço. Dependendo da sua configuração, esses navios têm aproximadamente 152 metros de comprimento, um deslocamento de quase 10.000 toneladas e normalmente uma tripulação de 329 a 359 pessoas. A atual situação diverge posicionamentos que defendem que a duração a bordo não esta longa, como a do presidente Donald Trump, e que existe precariedade nas embarcações, como as famílias dos tripulantes posicionaram.
