Onda de incêndios atingem Europa e aumentam a preocupação da população

Nova onda de incêndios gera preocupação nos países europeus e força população evacuar pontos das cidades; situação climática tende a piorar, segundo estudos

26 jul, 2026
Onda de calor provoca incêndios na região da Espanha | Reprodução/Instagram/@cnnclimate
Onda de calor provoca incêndios na região da Espanha | Reprodução/Instagram/@cnnclimate

A Europa Ocidental enfrenta um dos períodos mais severos de calor já registrados. Dados divulgados pelo Copernicus, serviço de monitoramento climático da União Europeia, apontam que o mês de junho entrou para a história como um dos mais quentes da região, cenário que favoreceu o avanço de incêndios florestais, deslocou milhares de pessoas e colocou diversos países em estado de alerta.

Mesmo após semanas consecutivas de temperaturas elevadas, a previsão indica que uma nova onda de calor deve atingir o continente a partir da próxima segunda-feira (27). Em algumas regiões, os termômetros podem ultrapassar os 40 °C, aumentando o risco de novos focos de incêndio e agravando os impactos provocados pela estiagem prolongada.

Altas temperaturas atingem países como França e Espanha

Desde maio, o calor extremo vem alterando a rotina de diversos países europeus. A combinação entre temperaturas elevadas, baixa umidade do ar e falta de chuvas criou condições favoráveis para a rápida propagação das queimadas, obrigando mais de 300 mil pessoas a deixarem suas casas enquanto equipes de emergência tentam conter o avanço das chamas.

Na França e na Espanha, bombeiros seguem mobilizados para impedir que os incêndios alcancem áreas urbanas. Em contrapartida, a Escócia começou a registrar um cenário mais positivo após controlar um grande incêndio no Parque Nacional de Cairngorms. Depois de aproximadamente dez dias de trabalho, cerca de 500 bombeiros conseguiram conter as chamas, permitindo que moradores evacuados retornassem gradualmente às suas residências.


Incêndios se alastram na Espanha (Foto: reprodução/Pablo Blazquez Dominguez/Getty Images Embed)


Meteorologistas, no entanto, alertam que o cenário ainda inspira preocupação. A expectativa é de que as condições climáticas permaneçam favoráveis para novos incêndios durante os próximos dias. Segundo o Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais, o sudoeste da França e o norte da Espanha continuam entre as áreas de maior preocupação, permanecendo sob o nível máximo de risco para queimadas ao menos até quarta-feira. Outras regiões da Europa também seguem em alerta, com condições consideradas extremamente favoráveis à propagação do fogo.

Além desses locais, o risco elevado também abrange grande parte da Península Ibérica, áreas do oeste e centro da França, o norte da Finlândia, parte dos Bálcãs Ocidentais e regiões da Europa Central e da Turquia. Em Portugal, o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) elevou o nível de alerta para o sul do país devido ao aumento da possibilidade de incêndios florestais.

Continente europeu tem maior registro de aquecimento

Especialistas afirmam que episódios como este têm se tornado cada vez mais frequentes em consequência das mudanças climáticas. Além de registrar ondas de calor mais intensas e prolongadas, a Europa é atualmente o continente que mais aquece no planeta, realidade que também contribui para o aumento do número de mortes associadas às temperaturas extremas.

Pesquisas recentes indicam que o aquecimento global alterou significativamente o comportamento climático europeu. O aumento das temperaturas reduziu a umidade do solo, pressionou os recursos hídricos e tornou eventos extremos muito mais prováveis do que seriam em um cenário sem a influência das emissões humanas de gases de efeito estufa.

Os estudos apontam que, na Europa Ocidental, as condições climáticas observadas neste ano se tornaram cerca de 80 vezes mais prováveis em comparação com um mundo sem o atual nível de aquecimento global. Já na Europa Oriental, esse risco aumentou aproximadamente 40 vezes, reforçando a influência das mudanças climáticas na intensificação das ondas de calor.

Os reflexos também já atingem diferentes setores da economia. A produção agrícola, os sistemas de abastecimento de água, o transporte fluvial e até a geração de energia enfrentam dificuldades diante da seca prolongada, aumentando a preocupação de governos europeus com os impactos econômicos provocados pelo avanço da crise climática.


Seca impacta produções agrícolas na França (Foto: reprodução/NurPhoto/Getty Images Embed)


Na agricultura, os prejuízos já são significativos. A França caminha para registrar uma das menores colheitas de milho das últimas décadas, enquanto, na Romênia, mais de um milhão de hectares da cultura já foram perdidos em consequência das condições climáticas extremas, evidenciando os efeitos diretos do calor intenso sobre a produção de alimentos.

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