Jornada 6×1: oposição e empresários articulam tática para adiar PEC
Lideranças empresariais fazem pressão contra fim da jornada 6×1 no Senado enquanto parlamentares demonstram cautela de olho na reeleição deste ano
Empresários e parlamentares de oposição articulam-se para obstruir, ou ao menos postergar, a tramitação da PEC que modifica a jornada 6×1. De acordo com lideranças oposicionistas, o uso estratégico das normas regimentais pode desorganizar o calendário de votações planejado pelo Palácio do Planalto, que prevê a deliberação em meados de setembro, portanto, antes das eleições.
Tramitação da PEC da jornada 6×1 no Senado
Por apresentar maior flexibilidade, o regimento do Senado exige apenas que a PEC seja apreciada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e pelo próprio plenário. Esse rito dispensa a necessidade de criação de uma comissão especial. Diante disso, a meta dos opositores é estender as discussões na CCJ e apresentar emendas quando a proposta atingir o plenário, dinâmica que forçaria o retorno do texto à comissão de origem.
Eu, o @RickAzzevedo e o @Movimento_VAT estamos aqui na Comissão Especial do Fim da 6×1 aguardando a leitura do Relatório da nossa PEC.
A nossa luta é pelo fim da 6×1 com redução da jornada de trabalho pra JÁ. pic.twitter.com/AAX3RzlbTp
— ERIKA HILTON (@ErikakHilton) May 25, 2026
Erika Hilton e Rick Azevedo (Foto: Reprodução/X/@erikahilton)
A proposta deve dar entrada no Senado ainda esta semana, sendo imediatamente distribuída à CCJ, que terá o prazo de 30 dias para dar um parecer, sob pena de a matéria seguir automaticamente para o plenário caso o prazo expire. Por meio dessa tática, a deliberação em plenário acabaria empurrada para agosto, exigindo posteriormente uma nova rodada de votação na Câmara dos Deputados. Sob essa perspectiva, projeta-se uma forte investida do setor produtivo diretamente sobre as bancadas dos senadores para atrasar o fim da jornada 6×1.
Reunião de empresários com presidente do Senado
“Vamos fazer um corpo a corpo com todos os senadores e mostrar como o relatório da Câmara é um absurdo e um retrocesso. Da forma como está, engessa todo o processo. Pedimos apenas que seja feita uma discussão técnica e que não deixem a motivação eleitoral forçar soluções que não sejam do interesse do Brasil”, declarou em entrevista à CNN o presidente da Fiesp, Josué Gomes da Silva.
Em reunião no Senado, empregadores propõem discutir escala de trabalho 6×1 depois das eleições https://t.co/wgYOnb5HOt pic.twitter.com/LUjwPd9W1l
— Senado Federal (@SenadoFederal) May 26, 2026
Davi Alcolumbre e empresários em reunião (Foto: reprodução/X/@senadofederal)
O dirigente empresarial, acompanhado de outras lideranças do setor, esteve reunido na terça-feira (26) com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco. Segundo o chefe do Legislativo, a intenção é adotar o rito convencional da Casa, distanciando-se da pressa observada na Câmara, sem, contudo, travar o andamento a ponto de inviabilizar a aprovação do fim da jornada 6×1 ainda este ano.
Por se tratar de um projeto com forte apelo popular, diversos parlamentares demonstram cautela em seus posicionamentos, de olho nos reflexos sobre suas respectivas campanhas de reeleição.
