O fim do pacto nuclear entre EUA e Irã reconfigurou o jogo geopolítico

Entenda o impacto da saída dos Estados Unidos de um acordo estratégico com o Irã, suas raízes diplomáticas e os efeitos na estabilidade global

03 mar, 2026
EUA e Irã | Reprodução/X/@HispanTV_Brasil
EUA e Irã | Reprodução/X/@HispanTV_Brasil

Em 2015, um acordo histórico, formalizado como Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA), reuniu a República Islâmica do Irã e o grupo de potências conhecido como P5+1 (Estados Unidos, Reino Unido, França, Rússia, China e Alemanha) com o objetivo de limitar o programa nuclear iraniano e garantir que Teerã não desenvolvesse armas atômicas. O pacto estabeleceu restrições rigorosas ao enriquecimento de urânio, reduziu o número de centrífugas e permitiu inspeções regulares da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), em troca da suspensão de sanções econômicas que haviam isolado o país no cenário global.

Mas a história desse acordo ganhou um novo capítulo em maio de 2018, quando então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que seu país se retiraria unilateralmente do pacto, criticando-o como “um desastre” e afirmando que as limitações impostas não impediam o Irã de perseguir ambições militares ou financiar grupos no Oriente Médio.

Rompimento e consequências imediatas

A saída americana representou mais do que uma mudança de política externa: desestabilizou a arquitetura de segurança construída em torno do acordo. Enquanto o ex-presidente Barack Obama e aliados europeus defendiam que o pacto estava funcionando, destacando a redução significativa das reservas de urânio enriquecido pelo Irã, Trump argumentava que Teerã continuava a ameaçar seus vizinhos e a desenvolver mísseis balísticos.

O resultado foi a reimposição de sanções econômicas rigorosas pelos Estados Unidos, que voltaram a pressionar a economia iraniana e aumentaram as tensões na região. O Irã, por sua vez, respondeu gradualmente relaxando algumas de suas próprias obrigações, aumentando o enriquecimento de urânio além dos limites acordados e criando novas incertezas sobre sua intenção de aderir às regras originais do pacto.


 

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Trump fala sobre ataques à Irã (Foto: reprodução/Instagram/@portalg1)


Além dos efeitos econômicos, o rompimento também abalou relações diplomáticas, gerando atritos entre os próprios aliados ocidentais e ampliando a instabilidade no Oriente Médio.

Novas negociações em um contexto instável

Nos últimos meses, houve tentativas de retomar algum tipo de acordo ou trilhar novas negociações entre Washington e Teerã. Rodadas de conversas em Genebra reúnem diplomatas e especialistas para discutir limites ao programa nuclear, especialmente o nível permitido para o enriquecimento de urânio, um ponto sensível que foi central no pacto de 2015.

Entretanto, o ambiente geopolítico mudou drasticamente desde 2018. O conflito ampliado no Oriente Médio, somado à desconfiança mútua entre os dois governos, torna qualquer avanço mais complexo do que no passado. Mesmo assim, analistas acreditam que a estabilidade regional e as perspectivas de paz dependem cada vez mais do desfecho dessas negociações.

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