Paris Filmes recusa proposta para distribuir “Dark Horse”
Produção ainda busca acordo com empresas do setor e enfrenta impasses comerciais enquanto mantém previsão de estreia para o fim do ano
A Paris Filmes, uma das maiores distribuidoras cinematográficas do Brasil e da América Latina, recusou uma proposta para assumir a exibição de Dark Horse, segundo fontes envolvidas na negociação ouvidas pelo SBT News, em matéria publicada nesta terça-feira (23). Apesar da negativa, o longa segue com estreia prevista para 5 de novembro, poucos dias após o segundo turno das eleições presidenciais. O lançamento foi adiado em razão de dificuldades financeiras na fase final da produção e do receio de impactos políticos sobre a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência.
Distribuição do filme segue indefinida
A produtora Go Up Entertainment, responsável por Dark Horse, afirmou ao SBT News que as tratativas para a distribuição do longa continuam em curso e fazem parte da estratégia comercial adotada para o lançamento. Segundo a empresa, diferentes possibilidades seguem sendo avaliadas em conjunto com parceiros internacionais, enquanto novas conversas são mantidas com distribuidoras do setor.
De acordo com interlocutores próximos ao senador Flávio Bolsonaro, ainda não há contrato assinado para a exibição da obra. Em nota à reportagem, a empresária Karina Gama, proprietária da Go Up, disse que a equipe busca definir a alternativa mais adequada para levar o filme ao público. Procurada, a Paris Filmes confirmou posteriormente que optou por não prosseguir com o projeto.
Trailer de divulgação de Dark Horse (Vídeo: reprodução/YouTube/@MetrópolesTV)
A distribuidora informou que recebeu a proposta para analisar a viabilidade comercial do longa, mas decidiu não seguir adiante após uma avaliação interna. Em nota, a empresa ressaltou que “não há negociação em andamento, compromisso firmado ou contrato relacionado ao filme”.
Questionamentos sobre lançamento em ano eleitoral
Além das dificuldades para encontrar uma distribuidora, o filme enfrenta resistência no mercado audiovisual nacional em meio às controvérsias envolvendo sua produção. Parte das críticas surgiu após a divulgação de que o projeto recebeu recursos do empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, preso sob acusação de liderar uma organização criminosa. A repercussão levou o deputado federal Rogério Correia (PT-MG) e o advogado Marco Aurélio de Carvalho a acionarem o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para tentar impedir o lançamento do longa, sob o argumento de que a obra poderia configurar propaganda eleitoral antecipada em favor de Flávio Bolsonaro, apontado como pré-candidato à Presidência da República.
O pedido, porém, foi rejeitado pelo presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, que extinguiu o processo sem analisar o mérito das acusações. Na decisão, o magistrado entendeu que os autores da ação não tinham legitimidade para apresentar a representação perante a Corte. Paralelamente, o filme também é alvo de uma ação do deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) no Supremo Tribunal Federal (STF), que pede a investigação da origem dos recursos empregados na produção e de uma possível utilização desses valores para custear despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
Apesar da recusa da Paris Filmes e dos questionamentos sobre seu financiamento, Dark Horse segue sem impedimentos judiciais para exibição. O longa mantém, por enquanto, a previsão de estreia para novembro, poucos dias após o segundo turno das eleições presidenciais.
