Paris vira zona de guerra em meio a manifestações

Protestos que começaram com reivindicações estudantis se expandiram e acabaram com incêndios e confrontos com a polícia nas ruas de Paris

20 out, 2026
Fogo nas ruas durante protestos do dia 17 | Reprodução/flickr/ActuaLitté
Fogo nas ruas durante protestos do dia 17 | Reprodução/flickr/ActuaLitté

A exatamente seis meses para as eleições, meio milhão de pessoas tomou as ruas na França no último final de semana, em protestos que tornaram Paris um caos. Só no sábado, 17, a polícia francesa prendeu 2.400 pessoas e 1.000 policiais saíram feridos, além de um manifestante que morreu após uma parada cardíaca.

Um barril de pólvora

Os protestos começaram no meio estudantil, em setembro. De início, eram apenas estudantes reivindicando mais recursos na área da educação, melhores condições nas escolas e mais professores. Com o tempo, professores e funcionários públicos, que terão o salário congelado segundo o orçamento de Macron para 2027, se juntaram ao movimento.


um jovem francês segura um cartaz chamando os jovens para protestar. em volta deles, várias pessoas.

Cartaz de manifestante chamando jovens para a rua (Foto: Reprodução/Wikimedia Commons/ActuaLitté)


Na virada de setembro para outubro, a violência escalou. Escolas queimadas, carros e ônibus incendiados e com janelas quebradas, confrontos com a polícia. Conforme os protestos cresciam, também eram incorporadas novas pautas, como a alta do custo de vida e os serviços públicos em baixa.

Paris e Marselha foram as principais afetadas pela violência. Manifestantes quebraram vitrines e saquearam lojas. 60 mil policiais foram mobilizados para conter os protestos, mas, segundo Laurent Nuñez, ministro do Interior, não foi suficiente.

Macron em baixa

O presidente francês, em pronunciamento no domingo, 18, condenou a violência dos atos. Parte da motivação para os protestos do final de semana é uma insatisfação geral com o governo de Macron, mandatário francês desde 2017. A direita e a esquerda têm aproveitado a situação para crescer nas intenções de voto. O primeiro-ministro da França, Sébastien Lecornu, chegou a acusar a extrema-esquerda de provocar as manifestações para influenciar as eleições de 2027.

No cenário atual, Marine Le Pen, do partido de extrema-direita Reagrupamento Nacional, lidera as pesquisas com 38% das intenções de voto. Logo atrás vem Jean-Luc Mélenchon, do França Insubmissa, partido de extrema-esquerda acusado de causar os protestos, com 18%. Fecha as pesquisas o possível sucessor de Macron, Édouard Philippe, que tem 17% das intenções de voto.

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