Alta do querosene pode elevar preço das passagens aéreas em até 20%

Reajuste de mais de 50% da Petrobras pressiona custos das passagens aéreas e pode reduzir voos, além de impactar a demanda por passagens

02 abr, 2026
Avião se prepara para pouso | Reprodução/iStock/Jetlinerimages
Avião se prepara para pouso | Reprodução/iStock/Jetlinerimages

O preço das passagens aéreas no Brasil pode subir entre 10% e 20% nos próximos meses, após o aumento de mais de 50% no querosene de aviação (QAV) anunciado pela Petrobras nesta quarta-feira (1). A alta do combustível, impulsionada pela valorização do petróleo no mercado internacional, impacta diretamente os custos das companhias aéreas.

Especialistas apontam que o repasse ao consumidor pode ocorrer de forma gradual e dependerá da demanda por voos, enquanto o governo e o setor avaliam medidas para reduzir os efeitos da alta.

Alta do QAV pressiona custos

O reajuste no preço do querosene de aviação deve pressionar o setor aéreo brasileiro e afetar diretamente o bolso dos passageiros. Segundo especialistas, o combustível representa cerca de 45% dos custos operacionais das companhias aéreas, o que amplia os efeitos da alta recente.

De acordo com projeções, o custo para transportar um passageiro por quilômetro pode aumentar em torno de 20%. Esse cenário tende a forçar as empresas a reavaliar suas operações, especialmente em rotas de menor rentabilidade.

Impacto direto nos preços e na demanda

A expectativa é de que o aumento seja repassado, ao menos em parte, ao consumidor. Estimativas indicam que o reajuste das passagens deve ficar entre 10% e 20%, com um cenário mais provável em torno de 15%.

Esse movimento, no entanto, pode provocar um efeito imediato na demanda. Especialistas avaliam que, para cada 1% de aumento no preço das passagens, a procura tende a cair em proporção semelhante, sobretudo em viagens de lazer, que são mais sensíveis ao preço.


Entenda como será feito o repasse do preço do querosene para as passagens aéreas (Vídeo: reprodução/YouTube/@CNNBrasil)


Com isso, companhias aéreas podem reduzir a oferta de voos ou até suspender rotas que deixem de ser rentáveis. A consequência seria uma diminuição na conectividade aérea e menor acesso ao transporte.

Setor alerta para “consequências severas”

A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) classificou o reajuste como significativo para o setor. Em nota, a entidade afirmou que a medida pode comprometer a expansão de rotas e a oferta de serviços, além de dificultar a democratização do transporte aéreo no país.

A alta ocorre em um contexto de instabilidade internacional. Desde o início do conflito no Oriente Médio, o preço do barril de petróleo subiu de cerca de US$ 70 para mais de US$ 100, refletindo diretamente no valor do combustível utilizado pelas aeronaves.


Passageiros em fila no aeroporto (Foto: reprodução/Izusek/Getty Images Embed)


Apesar de mais de 80% do querosene consumido no Brasil ser produzido internamente, os preços seguem a paridade internacional, o que amplia a exposição do país às oscilações externas.

Medidas para conter os impactos

Para amenizar os efeitos do reajuste, a Petrobras anunciou um mecanismo de parcelamento. Em abril, as distribuidoras pagarão apenas parte do aumento, enquanto o restante será dividido em seis parcelas a partir de julho.

Além disso, o governo federal avalia medidas para reduzir a pressão sobre o setor aéreo. Entre as propostas em análise estão a redução temporária de tributos sobre o combustível, diminuição de impostos sobre operações financeiras e incentivos relacionados ao leasing de aeronaves.u meses.

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