PF rejeita proposta de delação premiada de Vorcaro no caso Master
PF considerou material apresentado por Vorcaro insuficiente, mas PGR ainda pode analisar acordo de delação separadamente
A Polícia Federal rejeitou a proposta de delação premiada apresentada pelo banqueiro Daniel Vorcaro, investigado na Operação Compliance Zero. A decisão foi comunicada aos advogados da defesa e ao ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF). Apesar da negativa da PF, a Procuradoria-Geral da República (PGR) ainda poderá analisar a proposta de forma independente.
Investigadores avaliaram que os anexos entregues pela defesa acrescentam poucas informações novas às já obtidas durante o inquérito. A perícia em celulares apreendidos do banqueiro também ampliou o escopo das investigações, que agora incluem suspeitas de corrupção, organização criminosa e uso de milícia privada.
PF aponta fragilidade em proposta apresentada pela defesa
A negociação do acordo de colaboração vinha sendo conduzida de forma conjunta entre a Polícia Federal e a PGR. No entanto, segundo investigadores ligados ao caso, o conteúdo preliminar entregue pela defesa foi considerado insuficiente para justificar os benefícios de uma delação premiada.
Entenda (Vídeo:Reprodução/YouTube/@SBTNews)
A avaliação interna da PF é que o material não trouxe revelações inéditas relevantes em relação ao que já havia sido descoberto na Operação Compliance Zero, responsável pela primeira prisão de Daniel Vorcaro. Fontes ligadas à investigação afirmam que o banqueiro teria evitado mencionar nomes considerados centrais na suposta estrutura criminosa.
Além disso, investigadores relataram a percepção de que Vorcaro estaria tentando proteger pessoas próximas durante as negociações. Ainda assim, a Procuradoria-Geral da República não descartou totalmente a possibilidade de analisar o acordo individualmente.
Celulares apreendidos ampliam investigação contra banqueiro
A perícia realizada em parte dos mais de oito celulares apreendidos pela Polícia Federal revelou novos indícios que ampliaram o foco da investigação. Segundo os investigadores, o caso deixou de se restringir a suspeitas de fraudes financeiras e passou a envolver possíveis crimes de corrupção, organização criminosa e utilização de uma milícia privada para obtenção de dados sigilosos e ataques a adversários.
Na última terça-feira (19), Daniel Vorcaro foi transferido para uma cela comum na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília. Antes, ele permanecia em uma sala com características de “Estado-maior”, estrutura já utilizada anteriormente para custodiar o ex-presidente Jair Bolsonaro entre novembro de 2025 e janeiro deste ano.
Caso Vorcaro afeta Flávio Bolsonaro (Vídeo:Reprodução/YouTube/@Metrópoles)
A transferência ocorreu após pedido da própria PF. O banqueiro já havia sido removido da Penitenciária Federal de Brasília para a sede da corporação em março, pouco antes de formalizar o interesse em firmar acordo de delação premiada.
PGR ainda pode decidir sobre colaboração
Mesmo com a rejeição da Polícia Federal, a delação ainda não está completamente descartada. A Procuradoria-Geral da República pode avaliar de forma separada todos os anexos e documentos apresentados pela defesa do banqueiro.
De acordo com informações divulgadas pela jornalista Andreia Sadi, as negociações tinham como foco a devolução de recursos e a eventual comprovação de atos praticados por autoridades eventualmente citadas no material. A expectativa agora gira em torno da posição da Procuradoria sobre a validade das informações apresentadas e sobre a possibilidade de continuidade das negociações envolvendo colaboração premiada no caso.
