PF rejeita proposta de delação premiada de Vorcaro no caso Master

PF considerou material apresentado por Vorcaro insuficiente, mas PGR ainda pode analisar acordo de delação separadamente

21 maio, 2026
Daniel Vorcaro | reprodução / Instagram / @victormoriyama
Daniel Vorcaro | reprodução / Instagram / @victormoriyama

A Polícia Federal rejeitou a proposta de delação premiada apresentada pelo banqueiro Daniel Vorcaro, investigado na Operação Compliance Zero. A decisão foi comunicada aos advogados da defesa e ao ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF). Apesar da negativa da PF, a Procuradoria-Geral da República (PGR) ainda poderá analisar a proposta de forma independente.

Investigadores avaliaram que os anexos entregues pela defesa acrescentam poucas informações novas às já obtidas durante o inquérito. A perícia em celulares apreendidos do banqueiro também ampliou o escopo das investigações, que agora incluem suspeitas de corrupção, organização criminosa e uso de milícia privada.

PF aponta fragilidade em proposta apresentada pela defesa

A negociação do acordo de colaboração vinha sendo conduzida de forma conjunta entre a Polícia Federal e a PGR. No entanto, segundo investigadores ligados ao caso, o conteúdo preliminar entregue pela defesa foi considerado insuficiente para justificar os benefícios de uma delação premiada.


Entenda (Vídeo:Reprodução/YouTube/@SBTNews)


A avaliação interna da PF é que o material não trouxe revelações inéditas relevantes em relação ao que já havia sido descoberto na Operação Compliance Zero, responsável pela primeira prisão de Daniel Vorcaro. Fontes ligadas à investigação afirmam que o banqueiro teria evitado mencionar nomes considerados centrais na suposta estrutura criminosa.

Além disso, investigadores relataram a percepção de que Vorcaro estaria tentando proteger pessoas próximas durante as negociações. Ainda assim, a Procuradoria-Geral da República não descartou totalmente a possibilidade de analisar o acordo individualmente.

Celulares apreendidos ampliam investigação contra banqueiro

A perícia realizada em parte dos mais de oito celulares apreendidos pela Polícia Federal revelou novos indícios que ampliaram o foco da investigação. Segundo os investigadores, o caso deixou de se restringir a suspeitas de fraudes financeiras e passou a envolver possíveis crimes de corrupção, organização criminosa e utilização de uma milícia privada para obtenção de dados sigilosos e ataques a adversários.

Na última terça-feira (19), Daniel Vorcaro foi transferido para uma cela comum na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília. Antes, ele permanecia em uma sala com características de “Estado-maior”, estrutura já utilizada anteriormente para custodiar o ex-presidente Jair Bolsonaro entre novembro de 2025 e janeiro deste ano.


Caso Vorcaro afeta Flávio Bolsonaro (Vídeo:Reprodução/YouTube/@Metrópoles)


A transferência ocorreu após pedido da própria PF. O banqueiro já havia sido removido da Penitenciária Federal de Brasília para a sede da corporação em março, pouco antes de formalizar o interesse em firmar acordo de delação premiada.

PGR ainda pode decidir sobre colaboração

Mesmo com a rejeição da Polícia Federal, a delação ainda não está completamente descartada. A Procuradoria-Geral da República pode avaliar de forma separada todos os anexos e documentos apresentados pela defesa do banqueiro.

De acordo com informações divulgadas pela jornalista Andreia Sadi, as negociações tinham como foco a devolução de recursos e a eventual comprovação de atos praticados por autoridades eventualmente citadas no material. A expectativa agora gira em torno da posição da Procuradoria sobre a validade das informações apresentadas e sobre a possibilidade de continuidade das negociações envolvendo colaboração premiada no caso.

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