PF investiga oferta milionária contra Banco Central
Esquema aponta que grupo ligado a Vorcaro teria ofertado até R$2 milhões a influenciadores para escrever críticas ao Banco Central
A Polícia Federal investiga um esquema em que membros do grupo empresarial ligado a Daniel Vorcaro teriam oferecido pagamentos de até R$ 2 milhões para influenciadores digitais com o intuito de publicarem conteúdos críticos ao Banco Central. A informação está registrada em documentos obtidos pela corporação no contexto da Operação Dark House.
De acordo com a apuração, o planejamento tinha como objetivo estimular campanhas nas redes sociais para deteriorar a imagem da autoridade financeira e coagir servidores incluídos na fiscalização das instituições financeiras sob controle do grupo. Os pagamentos variavam de acordo com o alcance e a influência dos perfis selecionados.
Investigação mostra tentativa de mudar a opinião pública
Segundo a Polícia Federal, diálogos obtidos durante a investigação relatam que representantes do grupo debatiam a contratação de influenciadores com capacidade de ampliar críticas ao Banco Central. O propósito seria criar um cenário de pressão pública enquanto prosseguiam com processos administrativos relacionados às empresas investigadas.

Fachada do Banco Central (Foto: reprodução/Agência Brasil/Marcello Casal)
Os investigadores asseguram que os valores ofertados poderiam chegar a quase R$2 milhões para mobilizações coletivas nas redes sociais. A PF agora detecta quais influenciadores foram requisitados, se houve contratação de forma efetiva e quais conteúdos chegaram a ser postados.
A instituição também investiga se o método fazia parte de um plano maior para influenciar decisões nos órgãos de fiscalização e deteriorar a credibilidade das instituições encarregadas do sistema financeiro nacional.
Defesa contesta irregularidade
A defesa de Daniel Vorcaro negou qualquer prática ilegítima e afirmou que as acusações não estão de acordo com os fatos. Os advogados asseguram que o empresário sempre atuou dentro do processo legal e que as investigações serão devidamente esclarecidas durante o seguimento do processo.
Já o Banco Central disse que segue acompanhando as investigações e reafirmou a sua atuação independente e técnica na avaliação e análise do sistema financeiro. A instituição ainda ressaltou que eventuais tentativas de coação não influenciam as decisões tomadas pelos órgãos fiscalizadores.
A Operação Dark House investiga suspeita de lavagem de dinheiro, crime financeiro e organização criminosa e supostas tentativas de interferência nas decisões tomadas pelos órgãos públicos. O material retido pela Polícia Federal segue sob avaliação e deve comprovar novas diligências e casuais denúncias do Ministério Público.
