PF realiza operação contra Mario Frias e produtora de “Dark Horse”
Investigação apura esquema que teria desviado recursos parlamentares para empresas subcontratadas irregularmente
A Polícia Federal deflagrou operação nesta quinta-feira (10) contra o deputado Mario Frias (PL-SP) e a produtora Karina Gama, investigando desvios de emendas parlamentares para o filme “Dark Horse”, que conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro. Foram cumpridos 49 mandados de busca e apreensão, sem prisões.
PF investiga Mario Frias por desvio de emendas
Mario Frias é deputado federal pela bancada paulista do PL. Karina Gama é produtora do filme e proprietária do Instituto Conhecer Brasil (ICB) e da Academia Nacional de Cultura (ANC), ambos também alvo das buscas nesta quinta-feira (10).
A operação, batizada de Make Up, é realizada pela Polícia Federal em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU). O caso está sob relatoria do ministro Flávio Dino no Supremo Tribunal Federal, onde tramitava inicialmente em São Paulo antes de ser avocado para a corte.
A investigação apura um suposto esquema de desvio de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares. Segundo a PF, uma organização criminosa composta por agentes públicos e privados teria direcionado recursos para empresas subcontratadas irregularmente, sem comprovação de que os serviços foram efetivamente prestados.
A Polícia Federal identificou movimentações de centenas de milhões de reais entre empresas ligadas ao esquema. As tentativas de ocultar os desvios continuaram até julho deste ano, de acordo com a corporação.
Auditoria da CGU apontou suspeita de desvio da emenda de R$ 2 milhões indicada por Frias para entidades de Karina com gastos não comprovados.
São investigados crimes de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes licitatórios. As investigações seguem em andamento.
Há duas investigações em curso no Supremo sobre o filme Dark Horse. Uma, sob relatoria de Flávio Dino, apura desvios de emendas parlamentares. A outra, conduzida por André Mendonça, investiga repasses feitos pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Delação aponta pagamento de US$ 1,6 milhão em setembro
Na última quarta-feira (9), o ministro André Mendonça homologou a delação premiada de Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como Mineiro, dono da Entre Investimentos. Segundo a delação obtida pelo G1, Mineiro fez repasses para Dark Horse a mando de Vorcaro, conforme pedido de Flávio Bolsonaro.
As transações foram feitas de janeiro a setembro de 2025 e totalizaram US$ 12,333 milhões. Pela cotação de setembro de 2025, esse valor equivalia a R$ 62,8 milhões.
Flávio Bolsonaro vinha afirmando que o último pagamento de Vorcaro havia ocorrido em maio de 2025. A delação revela um pagamento de setembro no valor de US$ 1,666 milhão, segundo informações do G1, contrariando essa afirmação.

Karina Gama, produtora do filme “Dark Horse”, e o deputado Mario Frias (PL-SP) são alvos de ação da Polícia Federal, que cumpre mandados de busca nesta quinta-feira (10). (Foto: Reprodução e Câmara dos Deputados)
A PF investiga se a totalidade do dinheiro foi empregada no filme “Dark Horse”, como afirmam Flávio Bolsonaro e a produtora Go Up, ou se uma parcela foi destinada para outros fins, como bancar Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Essa questão permanece central no inquérito.
A delação de Mineiro foi assinada com a Procuradoria-Geral da República em 8 de agosto. Mineiro afirmou ser responsável por gerar dinheiro vivo para a equipe de Vorcaro, conforme descrito em seu depoimento à PGR.
