Presidenciáveis evitam propostas sólidas para frear controle do Congresso sobre o Orçamento
Relatório aponta que planos dos presidenciáveis trazem medidas genéricas para gerenciar o orçamento, que deve atingir recorde de R$ 61 bilhões em 2026
Propostas dos presidenciáveis sobre controle do Orçamento
O candidato à reeleição Luiz Inácio “Lula” da Silva (PT) traz propostas pouco detalhadas sobre transparência e rastreabilidade em seus planos. Lula critica o atual formato por considerar que as emendas “sequestraram” o Orçamento, reduzindo a eficiência dos investimentos públicos.
Por outro lado, Flávio Bolsonaro (PL) e Ronaldo Caiado (PSD) defendem maior controle e transparência integral, sugerindo rastrear a autoria e os beneficiários para alinhar os gastos ao planejamento nacional. Contudo, a ONG aponta contradições. Flávio indicou quase R$ 300 milhões em emendas entre 2020 e 2026 sem propor nenhuma lei sobre o tema, enquanto as soluções de Caiado para frear a fragmentação do dinheiro público são avaliadas como genéricas e vazias.
📝Dora Kramer | Candidatos criticam, mas não explicam como frear emendas. Não há no debate eleitoral uma abordagem consistente sobre o uso abusivo do Orçamento da Uniãohttps://t.co/vUQ8n4jYXM
— Folha de S.Paulo (@folha) August 11, 2026
Presidenciáveis evitam propostas concretas contra o Orçamneto secreto no Congresso (Foto: reprodução/X/@folha)
Já Romeu Zema (Novo) propõe limitar os recursos das emendas a um percentual reduzido do orçamento, vinculando-as a critérios objetivos de interesse público para evitar o uso eleitoral, embora não fixe um valor ideal. O relatório pondera que, sob a gestão de Zema como governador de Minas Gerais até março deste ano, o estado atingiu o recorde de R$ 2,5 bilhões reservados a emendas.
O candidato Augusto Cury (Avante) não cita o assunto e Renan Santos (Missão) sugere ajustes no sistema de emendas e defende a autonomia financeira das prefeituras. A ideia é reduzir a dependência dos municípios dos repasses feitos pelos deputados.
R$ 1,26 bilhão de “Orçamento secreto” em 2025
Ano passado, o governo federal pagou R$ 1,26 bilhão de “orçamento secreto” para o Congresso. De acordo com o Portal da Transparência, a Câmara dos Deputados distribuiu o valor em “emendas de liderança” sem identificar o parlamentar padrinho, além de outras “emendas de comissão paralelas” que movimentaram mais R$ 8,5 bilhões sob códigos que dificultam o rastreamento.
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Candidatos à Presidência da República (Foto: reprodução/Instagram/@thenews.sc)
No fechamento de 2025, o total pago pelo governo federal em todas as modalidades de emendas parlamentares alcançou o recorde histórico de R$ 31,5 bilhões. De acordo com a ONG Transparência Internacional Brasil, a tendência para este ano, é que o governo atinja teto inédito de R$ 61 bilhões em repasse ao Congresso.
