Presidenciáveis evitam propostas sólidas para frear controle do Congresso sobre o Orçamento

Relatório aponta que planos dos presidenciáveis trazem medidas genéricas para gerenciar o orçamento, que deve atingir recorde de R$ 61 bilhões em 2026

31 ago, 2026
Candidatos a Presidência com melhor desempenho nas pesquisas | Foto: reprodução/X/@UOLNoticias
Candidatos a Presidência com melhor desempenho nas pesquisas | Foto: reprodução/X/@UOLNoticias
Os candidatos à Presidência da República apresentaram propostas superficiais para o controle das emendas parlamentares em seus planos de governo enviados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta reta inicial da campanha eleitoral, ignorando que esses recursos somam R$ 61 bilhões este ano e são alvos de investigações da Polícia Federal e do Supremo Tribunal Federal (STF), conforme aponta um relatório da Transparência Internacional Brasil.
As emendas parlamentares são fatias do orçamento reservada para que deputados e senadores enviem dinheiro público diretamente para suas bases eleitorais. Por meio desse mecanismo, os congressistas financiam obras locais, compram equipamentos, custeiam serviços públicos e aplicam investimentos em estados e municípios parceiros.

Propostas dos presidenciáveis sobre controle do Orçamento

O candidato à reeleição Luiz Inácio “Lula” da Silva (PT) traz propostas pouco detalhadas sobre transparência e rastreabilidade em seus planos. Lula critica o atual formato por considerar que as emendas “sequestraram” o Orçamento, reduzindo a eficiência dos investimentos públicos.

Por outro lado, Flávio Bolsonaro (PL) e Ronaldo Caiado (PSD) defendem maior controle e transparência integral, sugerindo rastrear a autoria e os beneficiários para alinhar os gastos ao planejamento nacional. Contudo, a ONG aponta contradições. Flávio indicou quase R$ 300 milhões em emendas entre 2020 e 2026 sem propor nenhuma lei sobre o tema, enquanto as soluções de Caiado para frear a fragmentação do dinheiro público são avaliadas como genéricas e vazias.


Presidenciáveis evitam propostas concretas contra o Orçamneto secreto no Congresso (Foto: reprodução/X/@folha)


Já Romeu Zema (Novo) propõe limitar os recursos das emendas a um percentual reduzido do orçamento, vinculando-as a critérios objetivos de interesse público para evitar o uso eleitoral, embora não fixe um valor ideal. O relatório pondera que, sob a gestão de Zema como governador de Minas Gerais até março deste ano, o estado atingiu o recorde de R$ 2,5 bilhões reservados a emendas.
O candidato Augusto Cury (Avante) não cita o assunto e Renan Santos (Missão) sugere ajustes no sistema de emendas e defende a autonomia financeira das prefeituras. A ideia é reduzir a dependência dos municípios dos repasses feitos pelos deputados.

R$ 1,26 bilhão de “Orçamento secreto” em 2025

Ano passado, o governo federal pagou R$ 1,26 bilhão de “orçamento secreto” para o Congresso. De acordo com o Portal da Transparência, a Câmara dos Deputados distribuiu o valor em “emendas de liderança” sem identificar o parlamentar padrinho, além de outras “emendas de comissão paralelas” que movimentaram mais R$ 8,5 bilhões sob códigos que dificultam o rastreamento.


 

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Candidatos à Presidência da República (Foto: reprodução/Instagram/@thenews.sc)


No fechamento de 2025, o total pago pelo governo federal em todas as modalidades de emendas parlamentares alcançou o recorde histórico de R$ 31,5 bilhões. De acordo com a ONG Transparência Internacional Brasil, a tendência para este ano, é que o governo atinja teto inédito de R$ 61 bilhões em repasse ao Congresso.

 

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