PT e FE Brasil rebatem defesa de Flávio Bolsonaro no TSE⁠ sobre deepfake

Federação partidária do PT afirma ao TSE que uso de IA com ex-presidente em convenção do PL descumpre resolução sobre propaganda eleitoral

13 ago, 2026
Lula | Reprodução/X/@g1
Lula | Reprodução/X/@g1

A Federação Brasil da Esperança (FE Brasil), coligação entre PT, PCdoB e Partido Verde (PV), contrapôs os argumentos jurídicos apresentados pela equipe de advogados de Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência da República. A defesa de Flávio foi apresentada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Os advogados tentam justificar, no âmbito jurídico, o vídeo gerado por IA do ex-presidente Jair Bolsonaro, exibido durante a convenção nacional do Partido Liberal (PL).

Argumentação jurídica sobre o uso de deepfake

No documento do PT e da FE Brasil, enviado ao TSE na noite de quarta-feira, 12 de agosto, os advogados declaram que não seria o teor de falsidade que torna o artifício irregular e escreveram o seguinte: “O deepfake de uso legítimo continua sendo deepfake. A licitude do uso é juízo normativo externo; a natureza da coisa não muda conforme o rótulo que se lhe aponha”. O documento de petição afirma ainda que o TSE já possui determinações legais sobre o uso de deepfake na Resolução nº 23.732/2024.


Momento da exibição do vídeo de IA (Foto: Reprodução/X/@bolsonarotv_)


Já a defesa de Flávio alega que o deepfake acontece, na interpretação deles, quando é verificada a tentativa de enganar o eleitor, o que não aconteceu. Seus advogados escreveram em sua argumentação: “Fantoches, animações, caricaturas, avatares, dublagens, charges, personagens digitais e representações gráficas sempre integraram a comunicação política. A inteligência artificial apenas ampliou os recursos técnicos disponíveis, não sendo viável nem mesmo factível sua completa eliminação da vida política e nem constitucionalmente legítimo presumir, em todo emprego dessa ferramenta, fraude ou manipulação ilícita do eleitor”.

Regras de propaganda e reunião no tribunal

A confusão acontece pois o responsável pela elaboração das determinações legais sobre a propaganda eleitoral deste ano, Nunes Marques, não teria feito alterações importantes no texto, como, por exemplo, a diferenciação do que seria deepfake e Inteligência Artificial Generativa. A defesa sustenta que a Academia Brasileira de Direito Eleitoral teria sugerido que houvesse essa alteração para resolver a dúvida, mas nada foi feito.


Montagem de Lula e Flávio Bolsonaro (Foto: Reprodução/X/@exame)


Um encontro entre os ministros do TSE está marcado para hoje, quinta-feira, 13 de agosto, para discutir o uso de IA. A reunião acontecerá no gabinete do presidente, Nunes Marques, depois da sessão plenária das 10h. Além do uso de deepfake, o PT acusa o PL e Flávio Bolsonaro de suposta propaganda eleitoral antecipada.

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