Racha na direita: Michelle Bolsonaro silencia sobre crise e expõe conflitos

Áudios de Flávio Bolsonaro pedindo 134 milhões geram racha na direita enquanto Michelle silencia sobre a crise e apoia Eduardo Girão no Ceará

20 maio, 2026
Michelle Bolsonaro | Reprodução/Instagram/@michellebolsonaro
Michelle Bolsonaro | Reprodução/Instagram/@michellebolsonaro

Quando perguntada sobre a crise que assola a direita do país, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro preferiu desconversar publicamente. Vários líderes do setor vieram a público questionar Flávio Bolsonaro sobre os áudios vazados pela imprensa, nos quais o senador e pré-candidato à Presidência da República negocia diretamente com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro um expressivo aporte de 134 milhões de reais. O montante seria integralmente destinado ao filme Dark Horse, que retrata a carreira política de Jair Bolsonaro com foco na campanha eleitoral de 2018.

Pré-candidatura

A esquiva de Michelle ocorreu durante o evento oficial de pré-candidatura a deputada federal da empresária brasiliense Maria Amélia. Ao ser blindada do polêmico assunto pelos aliados presentes, a ex-primeira-dama limitou-se a dizer: “Sobre o Flávio, você tem que perguntar a ele”.


Manifestação da direita; Michelle Bolsonaro tirando uma Selfie com a multidão

Manifestação com Michelle Bolsonaro (Foto: reprodução/X/@mi_bolsonaro)


O episódio abriu um racha profundo na direita nacional. De um lado, lideranças articulam a substituição imediata de Flávio pelo nome de Michelle na disputa eleitoral; de outro, aliados históricos defendem a escolha original de Jair Bolsonaro em ter o próprio filho como sucessor político.

Reação de Flávio Bolsonaro

A postura do senador mudou drasticamente com o avançar dos fatos. Inicialmente, ele negou as graves acusações e ironizou a imprensa, classificando os repórteres como “militantes”. Contudo, após a divulgação dos áudios, Flávio admitiu ter pedido o dinheiro ao banqueiro para custear a produção. Já na terça-feira, o parlamentar confessou ter visitado Vorcaro em prisão domiciliar, justificando que o encontro serviu justamente para suspender as negociações após tomar conhecimento das denúncias contra o empresário.


Bandeiras da campanha de Ciro Gomes e Flávio Bolsonaro. Ambas utilizando a estética de patriotismo.

Bandeiras da campanha de Ciro Gomes e Flávio Bolsonaro (Foto: reprodução/X/@opovo)


Michelle ainda aproveitou o evento para elogiar o senador Eduardo Girão (Novo-CE) e declarar apoio à sua pré-candidatura ao governo do estado. O aceno expõe outra divergência interna na direita cearense, que resiste à aliança do PL com a candidatura de Ciro Gomes.“Se tiver que perder, vamos perder com dignidade. A gente não vai fazer aliança com o mal. Aqui não é projeto de poder”, disse Michelle.

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