Raízen faz pedido de recuperação extrajudicial para renegociar dívida bilionária
Com R$65,1 bilhões em dívida, grupo operador da Shell enfrenta pressão financeira e busca organizar-se diante de processo estruturado junto aos credores
A empresa de açúcar, etanol e combustíveis, a Raízen, enviou pedido de recuperação extrajudicial para reorganizar as dívidas, que passam de 65 bilhões de reais. O protocolo foi feito em São Paulo e enviado para a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), autarquia do Ministério da Fazenda, que deve chegar a uma decisão em breve, vista a adesão de 47% dos credores do grupo. A maioria das dívidas foi emitida no exterior e é referente a bancos, debenturistas, bondholders e investidores de CRAs (da área do agronegócio).
Objetivo do pedido
Para o grupo, fundado pela Shell, a reorganização das dívidas sem o processo jurídico seria mais rápida, vantajosa e segura O pedido foi estruturado junto aos principais credores que não têm garantias contratuais, sendo bancos, fornecedores ou investidores que concederam valores à empresa sem exigências.
Caminhão da empresa Shell, uma das fundadoras da Raízen (Foto: reprodução/Getty Images Embed/Victor Moriyama)
Tendo em mãos o apoio de 47% dos credores com dívidas sem garantia, a Raízen terá 90 dias para obter o mínimo de suporte visando à aprovação da Justiça, adicionando todos os credores da dívida total negociada. O planejamento seria a partir do aporte de dinheiro de acionistas, transformação de parte da dívida em ações, troca de débitos por novos prazos de pagamento e mudanças na estrutura e ativos da companhia.
Em nota, a empresa disse: “A recuperação extrajudicial possui escopo limitado, estritamente financeiro, e não abrangerá as dívidas e obrigações do Grupo Raízen com seus clientes, fornecedores, revendedores e outros parceiros de negócios”.
Chegando a R$55,3 bi de dívida líquida no fim de 2025, a Cosan vinha buscando uma solução. De acordo com o próprio grupo, alguns aportes e capitalizações vão ocorrer, sendo 3,5 bilhões de reais da Shell e mais 500 milhões de um grupo de investimentos ligado a Rubens Ometto. Esse dinheiro entraria como novo capital, equilibrando as finanças durante o processo de negociação das dívidas.
O porquê da situação financeira da empresa
Criada em 2011 pela Cosan e Shell, a companhia vinha em crescente até o avanço das mudanças climáticas e movimentações de capital, afetando a produção e comercialização.
Nos últimos anos, a Raízen se viu em meio a condições climáticas instáveis, que afetaram as safras e pressionaram a gestão de caixa, por conta dos juros e dos altos investimentos feitos. Diante desse aumento da dívida, a companhia vem reduzindo custos e vendendo ativos para diminuir esse valor.
Além disso, em 2024, vários incêndios que atingiram o interior do Estado de São Paulo afetaram empresas do setor sucroenergético, entre elas a própria Raízen. As queimadas impactaram quase dois milhões de toneladas de cana-de-açúcar.
Em 2025, a Aguasanta Participações, que reúne investimentos da família Ometto, fechou com o BTG Pactual e Perfin para fazer um aporte na Cosa, com o objetivo de reduzir o endividamento do grupo, com a premissa de direitos de votos em projetos do grupo. Movimentos como esse vêm sendo feitos para a melhora no caixa, e entende-se que a recuperação extrajudicial será importante para a empresa.
