Reino Unido acusa China de espionar pesquisas de tecnologia
Segundo MI5, instituto que financiava acadêmicos britânicos mantinha relações muito próximas com agência de segurança e inteligência da China
O Reino Unido acusou a China nesta quarta-feira, 30, de espionar e se aproveitar do trabalho de pesquisadores britânicos. A denúncia parte de uma investigação do serviço de inteligência, o MI5, sobre um instituto chinês que financiava mais de 100 acadêmicos do Reino Unido. O MI5 também informou que qualquer pesquisador que mantiver relações com o instituto poderá ser processado com base na Lei de Segurança Nacional.
A denúncia
Segundo a inteligência britânica, o Instituto de Pesquisa de Tecnologia Geral da China (CGTRI), que financiava projetos de inteligência artificial em universidades do Reino Unido, mantinha “relações muito estreitas” com o Ministério da Segurança do Estado da China (MSS), serviço de inteligência chinês. Ainda segundo o MI5, o objetivo do CGTRI era fomentar “pesquisas acadêmicas que melhoram diretamente a capacidade técnica do MSS para espionagem”.
Entre os projetos financiados pelo instituto, estavam temas como inteligência artificial, cibersegurança, sistemas de comunicação clandestina e estaganografia, que é a prática de esconder informações dentro de objetos ou mensagens, fazendo o conteúdo real passar despercebido. O MI5 acredita que os acadêmicos e universitários se envolveram de boa-fé com o CGTRI, mas aconselha que encerrem qualquer vínculo com o instituto para evitar maiores consequências legais.
Tensões entre os dois governos
Não é a primeira vez que o Reino Unido acusa a China de espionagem nos últimos anos, acusações que Pequim classifica como “infundadas e pura invenção”. Em outubro de 2025, o Ministério Público britânico arquivou uma investigação sobre espionagem chinesa em larga escala, mesmo sob o protesto do diretor do MI5, Ken McCallum, que afirmou que agentes estatais chineses representavam um risco diário à segurança do país.

O diretor do MI5, Ken McCallum (Foto: Reprodução/Comunicado oficial do MI5)
Outra denúncia, dessa vez de uma agência de inteligência conjunta dos Estados Unidos, Reino Unido, Canadá, Austrália e Nova Zelândia, a “Five Eyes”, seria de que espiões chineses estariam usando plataformas de emprego para recrutar pessoas com acesso a informações sigilosas.
