Satélites mostram rastro de destruição deixado pela enchente entre Nepal e Tibete

Desprendimento de geleira causou enchente deixando 552 mortos, mais de mil desaparecidos e risco de novas inundações na região afetada

28 ago, 2026
Imagens de satélite mostram o antes e o depois da região entre Nepal e Tibete | Foto: reprodução/X/@Raphael_BR
Imagens de satélite mostram o antes e o depois da região entre Nepal e Tibete | Foto: reprodução/X/@Raphael_BR

Imagens de satélite divulgadas nesta sexta-feira (28) mostram a extensão da destruição provocada pelo desabamento de uma geleira no Himalaia, na fronteira entre o Nepal e o Tibete. Os registros comparam a região antes e depois da avalanche de quarta-feira (26). No mapeamento, é demarcado o ponto exato do colapso na encosta montanhosa. Paralelamente, uma marcação detalha a calha onde o rastro de detritos e gelo se acumulou após soterrar vilas inteiras da área afetada.

O monitoramento do desastre foi realizado por meio de dois satélites distintos. A primeira imagem foi captada em 24 de agosto pelo Sentinel-2, um equipamento do programa de observação europeu Copernicus. Em contrapartida, o segundo registro ocorreu em 26 de agosto pelo Landsat 9, um satélite de monitoramento terrestre administrado em conjunto pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos.

O que causou a enchente

Inicialmente, o governo do Nepal apontou um tremor de magnitude 4,4 como o gatilho da enxurrada. Contudo, o Serviço Geológico explicou que o impacto de toneladas de gelo e rochas contra o solo foi tão forte que provocou um abalo equivalente a um sismo de magnitude 5,2. Também havia a suspeita entre de funcionários nepaleses de que o colapso tivesse ocorrido no lado chinês da fronteira, no Tibete.


Região afetada pela enchente na divisa entre o Nepal e Tibete (Foto: reprodução/X/@eldebate_com)


No entanto, os dados de satélite confirmaram que o evento aconteceu em território do Nepal, no monte Langtang Lirung. Sabe-se até agora que uma grande parte de uma geleira se desprendeu no monte e despencou pelo vale, carregando gelo, pedras e sedimentos pelo caminho. O desmoronamento direcionou a lama e os detritos diretamente para o rio Lhende, soterrando as vilas vizinhas.

Risco de nova enchente

Um relatório do Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado das Montanhas aponta que o grande volume de detritos arrastado pela avalanche pode bloquear os trechos mais estreitos dos rios. Esse acúmulo de lama e rochas cria represas naturais instáveis, gerando o risco de rompimentos e de novas inundações nos próximos dias.

O perigo de outras enchentes preocupa principalmente os socorristas, que buscam por mais de 1.460 desaparecidos. Até o momento, o desastre deixou 552 mortes e mobilizou mais de 5 mil resgatistas de 11 países. O governo do Nepal decretou três dias de luto nacional e estado de calamidade pública.

Mais notícias