Secretário-geral da ONU faz alerta sobre a guerra no Oriente Médio
António Guterres falou sobre os riscos do conflito se estenderem e que já estão fora de controle; representante é enviado para apoiar tentativa de acordo
Na sede da Organização das Nações Unidas (ONU) em Nova York, o secretário-geral, António Guterres, fez declarações sobre os conflitos que vêm acontecendo no Oriente Médio, entre Estados Unidos, Irã e Israel. Segundo o português, a guerra está saindo do controle e pode se tornar algo muito maior e espalhado, visto o avanço dos ataques e os danos causados na economia global.
O que está sendo feito
Para Guterres, os combates estão representando riscos muito significativos não só para países afetados diretamente, mas para uma cadeia que não será possível controlar, algo que ele mesmo já havia falado em fevereiro, quando começaram os ataques ao Irã. Ele completou sua fala dizendo: “Chegou a hora de parar de subir a escada da escalada e começar a subir a escada diplomática”.
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Coletiva do secretário-geral na sede da ONU (Vídeo: reprodução/Instagram/@unitednations)
O representante da ONU enviou recados diretos aos países, alegando que já passou da hora de a guerra acabar, principalmente pelos danos a civis e ao impacto econômico que vem se agravando. Para ele, o Irã deve parar de atacar seus vizinhos, que vinham sendo bombardeados em postos do exército americano, e falou diretamente com o grupo terrorista Hezbollah, que vem atacando Israel em resposta aos ataques no Líbano, comparando com o que ocorreu em Gaza. “O modelo de Gaza não deve ser replicado no Líbano”, disse o secretário.
Buscando chegar a um acordo com os envolvidos, António Guterres anunciou que o diplomata Jean Arnault foi enviado pessoalmente para o local do conflito. A escolha foi feita por conta da grande experiência do francês em diplomacia internacional, com mais de 30 anos de bagagem em acordos de paz da ONU em diversos continentes. Sua última missão foi no Afeganistão, em 2021 com o mesmo cargo.
Crise por conta da guerra
Sabe-se que a guerra não vem afetando somente os países diretamente envolvidos, mas também toda a economia do mundo, sendo o principal motivo o fechamento do Estreito de Ormuz, principal rota de navegação de recursos do Golfo para a Europa e a América. A ação do Irã está afetando o fluxo de petróleo, gás e fertilizantes, aumentando o preço da energia e colaborando para o momento crítico do plantio.
Com a demora dos carregamentos, um novo aumento nos preços dos alimentos em nações subdesenvolvidas pode se agravar, justo em um período de melhora. Segundo o Programa Mundial de Alimentos, dezenas de milhões de pessoas podem enfrentar fome aguda caso a guerra continue até pelo menos junho deste ano.
O abastecimento de petróleo e fertilizantes desencadeia um problema muito maior e deve ser contornado com ajuda dos países mais estruturados, que já garantiram a liberação de parte das reservas emergenciais de combustível. Já no caso de fertilizantes, as matérias-primas bloqueadas na região persa são preocupantes. Guterres disse: “sem fertilizantes hoje, podemos ter fome amanhã”. O secretário-geral da ONU espera uma evolução nas tratativas de acordo com o chamado feito para as partes envolvidas e garante força total para minimizar os problemas que a guerra traz.
