Estudante de 17 anos descobre sítio arqueológico inédito na Bahia

Achado em Xique-Xique revela pinturas rupestres e artefatos pré-coloniais após indicação de aluno durante expedição do Projeto Assuruá no interior baiano

04 ago, 2026
Grupo do projeto Assuruá | Reprodução/X/@g1bahia
Grupo do projeto Assuruá | Reprodução/X/@g1bahia

Pesquisadores do Instituto Federal da Bahia descobriram um sítio arqueológico em Xique-Xique, no norte do estado, que até então era desconhecido pela ciência. O curioso é que o responsável pela descoberta foi um aluno de apenas 17 anos, Cassiano Santos da Conceição. O garoto levou os pesquisadores até o local. Batizado de Olhos D’Água, o sítio possui pinturas rupestres, um polidor de pedra (ferramenta utilizada por povos antigos na fabricação de outros utensílios) e fragmentos de cerâmica pré-colonial.  

Descoberta do sítio arqueológico Olhos D’Água

Cassiano declarou que conheceu o lugar ainda em 2020, durante um passeio com o pai às margens do córrego que leva o mesmo nome, Olhos D’Água. Quando o garoto relembrou as memórias ao participar do Projeto Assuruá, iniciativa voltada à identificação e ao estudo de pesquisas científicas da região, os pesquisadores do projeto ficaram extremamente curiosos e realizaram uma expedição ao local.  


Pinturas Rupestres em um sítio no Tocantins (Foto: Reprodução/X/@dannlelis)


Com o desejo de cursar agronomia, Cassiano ressalta sua visão sobre a importância da ciência ao abrir portas para a vida. Para ele, outros jovens deveriam ter a oportunidade de participar desse tipo de projeto.  

Impacto e novos estudos arqueológicos

O professor Romeu Leite, coordenador do projeto, destaca que a região sequer aparecia nos registros arqueológicos conhecidos e acrescenta: “É uma região onde a gente desconhecia a existência de sítios arqueológicos, tanto pelo cadastro nacional quanto pela nossa experiência. A gente também não imaginava que naquela serra de baixa altitude havia uma nascente de água. Esses povos habitavam onde tinham água e alimento. Foi uma surpresa.”  

Após encontrarem as pinturas rupestres e o polidor —uma estrutura escavada naturalmente na rocha e utilizada pelos povos antigos para fabricar ferramentas de pedra—, os analistas localizaram fragmentos de cerâmica, o que causou surpresa na equipe. Segundo o professor: “Com essa cerâmica, a gente pode conseguir estimar quais eram os povos que habitavam a região e qual era a tradição deles. 


Exemplo de polidor de pedras (Foto: Reprodução/Instagram/@visitefloripa)


Apesar dos achados, ainda não é possível determinar quais povos específicos habitavam o local. Serão necessários mais estudos e aprofundamentos para identificar essa linha do tempo, visto que houve uma sucessão de comunidades morando na região ao longo de centenas ou milhares de anos.

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