Sobreviventes de ebola ajudam no combate ao surto na República Democrática do Congo
Sobreviventes de ebola na República Democrática do Congo ajudam no atendimento a pacientes e relatam os impactos da doença após a recuperação
A República Democrática do Congo está passando pelo maior surto de ebola já registrado no país, declarado oficialmente no dia 15 de maio de 2026. Em meio ao elevado número de mortos e aos sobreviventes que ainda lidam com as sequelas físicas e psicológicas, pessoas que se recuperaram da doença passaram a apoiar o atendimento de outros pacientes, e compartilham as dificuldades vividas ao longo da infecção e do período de recuperação.
Sobreviventes ajudam no tratamento
Um dos pacientes que conseguiram se recuperar é uma estudante de medicina que, após contrair o vírus, ficou um tempo internada e atualmente atua com crianças que também contraíram a doença. Para uma reportagem do Fantástico, a estudante relatou o desespero que teve quando ficou internada, e o quão traumatizada ficou por ver outras pessoas morrendo e imaginando que poderia acontecer com ela mesma.
Essa mesma estudante diz ter escolhido ficar na creche que recebe as crianças afetadas pelo ebola. Para ela, esse local se tornou uma maneira de oferecer apoio para pessoas que passaram pelo o que ela enfrentou. A estudante também relatou: “[…] Não é fácil perder a mãe tão novinho, ficar sem ninguém e ter que se adaptar a alguém desconhecido”.
Depois de perder 12 familiares para doença, outro sobrevivente também deu seu relato à reportagem. Ele afirma que buscou atendimento médico após perceber os primeiros sinais da infecção e o tratamento foi iniciado logo em seguida. Quando conseguiu vencer a doença, passou a colaborar com os times de saúde que trabalham nos centros de tratamento, já que a imunidade adquirida ao vírus permite que ele auxilie no cuidado de outros pacientes, ajudando também a diminuir o contato dos profissionais de saúde ao vírus.
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“A MSF lança um estudo sobre a vacinação de profissionais de saúde na linha de frente contra o ebola” (Foto: reprodução/Instagram/@msf_rdcongo)
Famílias são devastadas pelo vírus
O surto, porém, foi longe. Com centenas de crianças órfãs e o número de casos ultrapassando 8 mil, famílias foram completamente devastadas pelo vírus. Um caso comentado pela reportagem envolve a de um bebê que conseguiu sobreviver e vencer a doença, enquanto a mãe faleceu durante o parto e o pai apenas alguns dias depois. Há também o caso de outra jovem com história similar. Apesar de ter sobrevivido e se recuperado, perdeu todos os familiares para o vírus. No país, situações como essa fazem parte da realidade de uma população afetada não apenas pela propagação da doença, mas também a violência provocada por confrontos armados, principalmente na região leste do país, extrema pobreza e um precário serviço de saúde pública.

Mulher e criança deslocadas pela violência recebem assistência da MSF em Plaine Savo, na região de Ituri (Foto: instagram/@msf_rdcongo)
Mesmo com a atuação de equipes e organizações médicas e humanitárias, ainda há uma resistência da população, o que dificulta o enfrentamento da epidemia, como moradores que deixam de procurar centros de atendimento por não confiarem no serviço ou por não terem informações suficientes sobre a doença. Além disso, muitos pacientes chegam às unidades quando o quadro já está em estagio avançado e casos em que familiares assumem os cuidados dentro de casa, o que pode favorecer a disseminação do vírus para outras pessoas.
