Itália aponta falta de imparcialidade e anula extradição de Zambelli

Decisão da Suprema Corte de Cassação cita atuação de ministro Alexandre de Moraes em diferentes fases do processo contra a ex-deputada do PL

12 jun, 2026
Carla Zambelli | Reprodução/Instagram/@carla.zambelli
Carla Zambelli | Reprodução/Instagram/@carla.zambelli

A Suprema Corte de Cassação da Itália divulgou nesta sexta-feira (12) os fundamentos que levaram à anulação da extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) ao Brasil. Os magistrados entenderam que houve comprometimento dos princípios de imparcialidade e independência judicial no processo que resultou na condenação da ex-parlamentar por invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Segundo a decisão, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, participou de diferentes etapas do caso, circunstância que, na avaliação da corte italiana, pode gerar incompatibilidade com garantias processuais previstas no ordenamento jurídico europeu. A determinação reverte uma decisão anterior favorável à extradição e mantém Zambelli em liberdade na Itália enquanto outros desdobramentos judiciais seguem em análise.

Corte italiana detalha motivos da decisão

A decisão envolve o pedido de extradição relacionado à condenação de Carla Zambelli a 10 anos de prisão pelo STF. A ex-deputada foi considerada culpada por contratar o hacker Walter Delgatti para invadir sistemas do Judiciário brasileiro e inserir documentos falsos, incluindo um suposto mandado de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes.



Entenda melhor (Foto: reprodução/X/@metropoles)


Ao justificar a anulação da extradição, os magistrados italianos afirmaram que a participação de Moraes em diferentes momentos do processo levantou questionamentos sobre a separação entre as funções de investigação, acusação e julgamento. A Corte de Cassação avaliou que esse aspecto merece atenção sob a ótica dos princípios de independência judicial adotados pela legislação italiana e por tratados internacionais.

A decisão não representa uma revisão do mérito da condenação aplicada pela Justiça brasileira, mas sim uma análise dos requisitos necessários para que um pedido de extradição seja aceito pelo sistema judicial italiano.

Caso segue com outros desdobramentos

O processo analisado pela Corte de Cassação refere-se apenas à condenação envolvendo a invasão dos sistemas do CNJ. Zambelli também responde a um segundo procedimento de extradição relacionado à condenação por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal, caso ainda pendente de avaliação pelas autoridades italianas.


Relembre motivos da prisão de Carla Zambelli (Vídeo: reprodução/YouTube/CNN Brasil)


A Procuradoria-Geral da República sustenta que a invasão dos sistemas judiciais teve como objetivo desacreditar instituições responsáveis pelo processo eleitoral brasileiro e contribuir para um ambiente de instabilidade institucional. Já a defesa da ex-deputada argumenta que houve irregularidades processuais e violações a garantias fundamentais durante a tramitação do caso.

Com a divulgação dos fundamentos da sentença, o episódio ganha novo capítulo na cooperação jurídica entre Brasil e Itália, reacendendo debates sobre extradição, soberania judicial e garantias processuais em casos de repercussão internacional.

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