Eleições 2026: Sudeste tem disputa acirrada entre Lula e Flávio Bolsonaro
Levantamentos Quaest e Datafolha apontam diferenças não significativas entre os candidatos na região que reúne 40% do eleitorado nacional
Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) chegam ao domingo (4) em posição equivalente no Sudeste, segundo as pesquisas Quaest e Datafolha divulgadas nesta semana. Os três maiores colégios eleitorais do país estão na região: São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, que somam 63,3 milhões de eleitores, representando 40,1% do eleitorado nacional.
A Quaest, de segunda (28), registra Flávio com 35% e Lula com 33% no Sudeste para o primeiro turno. Já o Datafolha, de quinta (1º), mostra Lula com 40% e Flávio com 39%. Em ambos os levantamentos, a diferença permanece dentro da margem de erro, caracterizando empate técnico.
Desempenho em São Paulo, Minas e Rio
Os números variam conforme o estado e o instituto. Na Quaest, Flávio aparece à frente em São Paulo e no Rio de Janeiro, enquanto Minas Gerais está empatada. O Datafolha, divulgado sexta (2), revela que Lula abriu vantagem em Minas Gerais e empatou com Flávio em São Paulo. No Rio, o senador lidera em ambas as pesquisas.
Em São Paulo, a Quaest mostra Flávio com 36% contra 30% de Lula, uma diferença de seis pontos. No Datafolha, o mesmo estado indica Flávio com 39% e Lula com 38%, em empate técnico. A margem de erro é de dois pontos percentuais.
Minas Gerais apresenta quadro distinto. A Quaest aponta Lula com 35% e Flávio com 31%, dentro da margem de erro de três pontos. No Datafolha, Lula amplia a vantagem para seis pontos, com 42% contra 36% de Flávio, neste caso com margem de dois pontos.
No Rio de Janeiro, a Quaest registra Flávio com 38% e Lula com 31%, conferindo sete pontos de vantagem ao senador. O Datafolha aponta Flávio com 45% e Lula com 38%, também com sete pontos de diferença.
Cenário de segundo turno
Caso ambos avancem para a disputa entre dois, os números também mostram competição apertada no Sudeste. A Quaest apresenta Flávio com 43% e Lula com 37%, uma diferença de seis pontos. O Datafolha indica Flávio com 48% e Lula com 45%, permanecendo dentro do empate técnico pela margem de erro.
Em São Paulo, a Quaest aponta Flávio com 43% e Lula com 35% em um segundo turno. O Datafolha mostra Flávio com 48% e Lula com 45%. Minas Gerais registra empate técnico na Quaest, com Lula em 41% e Flávio em 40%. O Datafolha aponta Lula com 48% e Flávio com 44%.
No Rio, a Quaest aponta Flávio com 44% e Lula com 34%, uma vantagem de dez pontos. O Datafolha mostra Flávio com 51% e Lula com 42%, ampliando a diferença para nove pontos.
Lula e Flávio Bolsonaro (Foto: reprodução/ MAURO PIMENTEL, SERGIO LIMA/ Getty Images Embed)
Como o Sudeste votou em 2022
A comparação com a eleição anterior revela mudanças no mapa político regional. Em 2022, Jair Bolsonaro (PL) venceu em São Paulo com 55,24% dos votos contra 44,76% de Lula, consolidando o estado como reduto de força para a direita.
Minas Gerais apresentava quadro mais equilibrado: Lula alcançou 50,2% dos votos contra 49,8% de Bolsonaro, uma margem de apenas 0,4 pontos percentuais. O Rio de Janeiro favorecia Bolsonaro com 56,53% contra 43,47% de Lula. No Espírito Santo, o então presidente também saiu vencedor com 58,04% ante 41,96% do atual presidente. No conjunto, a região Sudeste demonstrava bases sólidas para o campo de direita.
Eleitores independentes e em dúvida
Dois segmentos do eleitorado merecem atenção por sua capacidade de alterar o resultado: aqueles sem filiação partidária clara e os que consideram mudar de voto.
Segundo Felipe Nunes, diretor da Quaest:
“O jogo está nos independentes. Eles são de 24% a 36% do eleitorado nos estados e chegam ao pico no RJ (36%), no AM (35%) e em TO, RS e GO (33%)”.
O Rio de Janeiro concentra a maior proporção de eleitores sem identificação definida com um campo político, ampliando a incerteza sobre o direcionamento de seus votos.
Além dos independentes, há segmentos ainda em construção. Em São Paulo, 20% dos eleitores afirmam que poderiam mudar de voto. Em Minas Gerais, esse percentual chega a 19%. Essas proporções indicam um eleitorado não consolidado.
Sobre a consolidação de votos dentro de cada campo, Nunes observa:
“Lula vai além do próprio campo: em quase todos os estados, tem mais voto que a soma de lulistas e esquerda não lulista, sobretudo no NE. Flávio não consolida o seu em MG, GO, DF e SP, onde fica abaixo da soma da direita”.
A análise revela que Lula atrai eleitores fora do espectro tradicional de esquerda, enquanto Flávio não reúne integralmente o apoio da direita em estados-chave. A dispersão de votos dentro de cada campo abre margem para variações no resultado final.
